|
Sistema de Produção de Cebola (Allium cepa L)
|
||
|
Taxonomia e origem |
| Nutrição de adubação |
|
Ronessa Bartolomeu de Souza
O manejo criterioso da adubação consiste em otimizar a produtividade, satisfazendo as necessidades da cultura pela adoção de técnicas que propiciem maior eficiência no uso dos adubos, da água, da mão de obra e dos demais insumos, minimizando as perdas de nutrientes por lixiviação, erosão e volatilização. A aplicação racional de fertilizantes exige o conhecimento da disponibilidade de nutrientes no solo, das exigências nutricionais da cultura e da avaliação do estado nutricional das plantas. A disponibilidade de nutrientes é avaliada por meio da análise química do solo, e o estado nutricional das plantas por meio da diagnose foliar (análise de tecidos vegetais) e diagnose visual (observação de sintomas de carência ou excesso). As recomendações de calagem e adubação para o cultivo da cebola são praticamente as mesmas para os métodos de plantio por semeadura direta, por mudas, por bulbinhos ou por bulbos de soqueira, variando apenas com o sistema de cultivo. O sistema de plantio direto ou cultivo mínimo, de uso relativamente recente no Brasil, vem utilizando as recomendações de adubação e calagem do sistema convencional sem nenhum prejuízo. Sistema convencional Preparo do solo e calagem A cebola desenvolve-se melhor em solos profundos, ricos em matéria orgânica, com boa retenção de umidade, bem drenados e “leves”. Em geral, os solos de textura média, quando bem drenados, são os mais indicados por possuírem boas condições físicas e maior eficiência produtiva. Entretanto, é possível cultivar cebola em solos argilosos, como por exemplo os Latossolos Vermelhos provenientes de rochas basálticas, comuns no estado de São Paulo e no Sul do Brasil, desde que apresentem as características descritas acima. Solos muito arenosos apresentam o inconveniente da baixa retenção de umidade e possibilidade de lixiviação de adubos, que podem contaminar águas subterrâneas causando problemas ambientais. Solos muito argilosos e “pesados” prejudicam o desenvolvimento dos bulbos e podem causar deformações e baixa qualidade comercial. Para o preparo do solo neste sistema, geralmente são feitas uma a duas arações e duas gradagens. Quando o semeio é realizado diretamente no campo, o solo deve estar obrigatoriamente bem destorroado e aplainado, de modo a obter-se uniformidade na distribuição das pequenas e irregulares sementes de cebola. No caso de transplante de mudas, o destorroamento não precisa ser tão intenso, de forma que, dependendo das características do solo, muitas vezes são suficientes apenas uma aração visando atingir a profundidade de pelo menos 20 cm seguida por uma gradagem. Para o plantio de bulbinhos ou soqueira seguem-se as mesmas recomendações de preparo do solo para o sistema de mudas. Ainda sobre o plantio de mudas, imediatamente após a gradagem faz-se o levantamento dos canteiros. Entretanto, em solos bem drenados, sem problemas de compactação, pode-se prescindir desta operação fazendo o transplante das mudas no nível do solo. A cebola é relativamente sensível à acidez dos solos, desenvolvendo-se melhor em condições de pH (em água) de 6,0 a 6,5 e de, no máximo, 5% de saturação por Al3+. Dessa forma, a calagem é fundamental para o cultivo da cebola nos solos brasileiros, em sua maioria ácidos e com teores elevados de alumínio trocável. Adubação de plantio A recomendação de adubação para a cebola deve ser feita com base nos resultados da análise de solo. Geralmente, utiliza-se a mesma recomendação de adubação para os quatro métodos de cultivo: semeadura direta, por mudas, por bulbinhos e por bulbos de soqueira. Para as regiões cebolicultoras do Brasil existem recomendações de adubação adequadas e calibradas às suas condições de solo e clima e que, portanto, apresentam algumas variações. Sendo assim, é aconselhável adotar as recomendações para o seu estado ou para aquele com condições edafoclimáticas mais próximas. Adubação em cobertura Independente do sistema, é recomendável realizar uma adubação em cobertura com N e K no período de 30 a 40 dias após o plantio, sendo sugerido aplicar, respectivamente, 70% e 50% do total destes nutrientes em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em solos muito arenosos como os Neossolos Quartzarênicos, a adubação em cobertura com N e K deve ser fracionada em duas (30 e 50 dias após o plantio - DAP) ou três vezes (15, 30 e 50 DAP) para maior aproveitamento dos adubos, conforme sugerido para o Estado de Pernambuco. Adubação orgânica Independente da região, a adubação orgânica é sempre recomendada. Entretanto, deve-se considerar a quantidade de N do adubo orgânico a fim de evitar desequilíbrios na cultura por excesso deste nutriente e problemas ambientais em decorrência da lixiviação de nitrato, presente em quantidades elevadas em alguns tipos de adubos orgânicos, especialmente no esterco de matrizes. A aplicação deve ser feita com antecedência de pelo menos 15 dias da semeadura ou transplante das mudas. No sistema de bulbinhos, não devem ser utilizados adubos orgânicos com altos teores de nitrogênio, aplicando no máximo 10 t.ha-1 de esterco de curral curtido ou 3 t.ha-1 de esterco de galinha em solos pobres e com baixo teor de matéria orgânica. Adubação com enxofre e micronutrientes Para a cebola, o enxofre (S) tem função especial por ser constituinte dos compostos responsáveis pela pungência. Porém, devido à presença de S na composição do superfosfato simples e do sulfato de amônio, muitas vezes este nutriente é esquecido. Entretanto, por vezes, utilizam-se outras fontes de N e P que não contém S. Portanto, em situações de baixos teores de matéria orgânica no solo e/ou de utilização de adubos concentrados como uréia e superfosfato triplo ou de fórmulas que não contêm S, deve-se acrescentar de 30 a 50 kg.ha-1 de S juntamente com a adubação NPK, independente do sistema de plantio. Em geral, recomenda-se em torno de 1 a 2 kg.ha-1 de boro e de 2 a 4 kg.ha-1 de zinco, sem considerar a análise de solo. Estes nutrientes devem ser aplicados no sulco de plantio antes do transplante das mudas ou incorporados ao solo antes do semeio. Em organossolos ou solos com elevados teores de matéria orgânica é bastante comum ocorrer deficiência de cobre, recomendando-se aplicar de 1 a 2 kg.ha-1 de cobre. Em áreas que receberam adubos orgânicos de boa qualidade por sucessivos anos, pode-se prescindir da aplicação de micronutrientes. |
|
Copyright © 2003, Embrapa |
|