Gotejamento: opção para a irrigação do
tomateiro para processamento nos Cerrados

  • Introdução
  • Sistema de plantio
  • Espaçamento entre gotejadores
  • Profundidade dos gotejadores
  • Manejo da água de irrigação
  • Fertirrigação
  • Recomendações
  • Agradecimentos
  • Equipe
  •  * A versão em papel pode ser solicitada, gratuitamente, ao SAC

     


  • INTRODUÇÃO

  • O tomateiro para processamento industrial é a hortaliça de maior importância econômica cultivada na região de cerrados do Brasil Central. Em 2001, a área cultivada, nos estados de Goiás e Minas Gerais foi de 12.770 hectares (80% da área brasileira). A irrigação é realizada predominantemente por aspersão, sendo o pivô central o sistema mais utilizado.

    O gotejamento vem se tornando, com a redução do custo do sistema nos últimos anos, uma opção viável para a irrigação do tomateiro. A viabilidade econômica, todavia, está condicionada a um manejo racional da água de irrigação e da fertirrigação.

    As principais vantagens do gotejamento, comparativamente à aspersão, são:
    1. Maior produtividade: 20-40% de incremento de produtividade (110-140 t/ha).
    2. Menor gasto de água: por não molhar toda a superfície do solo e apresentar maior eficiência de irrigação, utiliza até 30% a menos de água.
    3. Menor incidência de doenças foliares: por não molhar a folhagem e os frutos, favorece menor incidência de doenças da parte aérea, reduzindo perdas na produção e na qualidade de frutos
    4. Maior flexibilidade no uso da fertirrigação: os fertilizantes são aplicados via água, junto às raízes das plantas, em regime de alta freqüência conforme as necessidades das plantas.

    Resultados de pesquisas realizadas pela Embrapa Hortaliças, visando estabelecer parâmetros para o manejo do gotejamento e da fertirrigação, são sintetizados a seguir.

  • SISTEMA DE PLANTIO

  • O sistema de plantio deve ser realizado preferencialmente em fileiras simples (1,2-1,4 m), com uma lateral de gotejadores por linha de plantio. Aumenta a produtividade em cerca de 10%, quando comparado ao sistema de fileiras duplas, com uma lateral por dupla de fileiras.
  • ESPAÇAMENTO ENTRE GOTEJADORES

  • O espaçamento entre gotejadores deve ser de 50-70% do diâmetro do bulbo molhado pelo emissor. Espaçamento superior a 80% do diâmetro molhado reduz a produtividade em pelo menos 10%. Para solos de cerrado, o espaçamento varia de 10-40 cm. Avaliações de campo devem ser realizadas.

  • PROFUNDIDADE DOS GOTEJADORES

  • De maneira geral, as linhas laterais de gotejadores são instaladas na superfície do solo. Para minimizar os danos mecânicos e os causados por roedores à tubulação, bem como facilitar as práticas culturais e colheita, a linha lateral pode ser instalada entre 5-10 cm de profundidade. Profundidades entre 10-20 cm também possibilitam alta produtividade, mas requerem o uso da aspersão, na fase inicial, para auxiliar o pegamento de mudas. Profundidades superiores a 20 cm não devem ser utilizadas em solos de cerrado.

  • MANEJO DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO

  • Os métodos mais práticos e de melhor precisão para manejo da irrigação utilizam tanque Classe A, tensiômetros ou ambos.

    Na tabela a seguir são apresentados valores de turno de rega (TR), tensão crítica de água no solo (Ts) e coeficiente de cultura (Kc) que podem ser utilizados para manejo da água de irrigação nas diferentes fases de desenvolvimento do tomateiro.

    Fase (dias*)

    TR (dias)

    Ts (kPa)

    Kc

    Inicial (7)

    1-2

    ---

    0,45

    Vegetativa (25)

    4-6

    70

    0,40

    Frutificação (55)

    1-2

    15

    0,95

    Maturação (28)

    2-4

    40

    0,70

    *Ciclo médio de 115 dias.

    O tempo de irrigação (min), com base na evaporação do tanque Classe A, pode ser calculado por:

    em que: 

    Kc = coeficiente de cultura; 
    Kp = coeficiente de tanque; 
    Eca = evaporação do tanque (mm/dia); 
    Sl = espaçamento entre laterais (m); 
    Sg = espaçamento entre gotejadores (m); 
    TR = turno de rega (dia); 
    Ei = eficiência de irrigação (%); 
    Vg = vazão do gotejador (L/h).

    As irrigações devem ser paralisadas quando a cultura apresentar cerca de 70% de frutos maduros, visando atingir teores de sólidos solúveis acima de 4 oBrix.

  • FERTIRRIGAÇÃO

  • Por razões econômicas e práticas, a fertirrigação, em solos de cerrado, pode ser realizada com freqüência semanal. Também não se faz necessário o fornecimento de todos os fertilizantes via água. Assim, 100% do fósforo (P), magnésio (Mg) e micronutrientes, 70% do cálcio (Ca), e 15% do nitrogênio (N) e potássio (K) podem ser aplicados diretamente ao solo por ocasião do plantio.

    O tomateiro responde positivamente a doses de N até 200-250 kg/ha. Para os demais nutrientes, a recomendação depende da análise do solo, sendo em termos gerais utilizados 200-300 kg/ha de K2O, 450-650 kg/ha de P2O5, 100-160 kg/ha de Ca e 25-40 kg/ha de Mg.

    Devido ao menor custo, a fertirrigação pode ser realizada utilizando-se principalmente: uréia, cloreto de potássio e cloreto de cálcio. Outros fertilizantes recomendados são o nitrato de amônio, sulfato de amônio, nitrato de potássio e nitrato de cálcio.

    Os fertilizantes utilizados devem ser específicos para fertirrigação, para se evitar problemas de entupimento. Por exemplo, deve-se evitar o uso do cloreto de potássio de cor rosada, por causar problema de entupimento, e preferir o branco.

    Na tabela abaixo são apresentadas as porcentagens da quantidade total de N, K e Ca a serem aplicadas no plantio e via fertirrigação, a cada semana.

    Época

    N e K

    Época

    Ca

    Plantio

    15%

    Plantio

    70%

    1a semana

    0%

    1a-4a semana

    0%

    2a-5a semana

    2%

    5a semana

    2%

    6a-12a semana

    10%

    6a semana

    3%

    13a semana

    7%

    7a-11a semana

    5%

    14a-16a semana

    0%

    12a-16a semana

    0%

  • RECOMENDAÇÕES

  • Para que a irrigação por gotejamento seja eficiente, o dimensionamento agronômico e hidráulico deve ser adequado e a manutenção do sistema realizada de forma periódica e preventiva.

    O principal problema do gotejamento é o entupimento dos emissores. Para evitá-lo, deve-se instalar um sistema eficiente de filtragem de água, fazer análise da qualidade da água a ser utilizada e verificar a compatibilidade dos fertilizantes a serem aplicados via fertirrigação entre si e com a água de irrigação.

  • AGRADECIMENTOS

  • À Unilever Bestfood Brasil Ltda. E à Rain Bird Brasil pela doação, respectivamente, de mudas de tomateiro e equipamentos de irrigação, utilizados nos estudos que geraram as informações presentes nesse folder..


    Equipe:

    Embrapa Hortaliças

    Waldir A. Marouelli, Ph.D.
    Washington Luiz C. Silva, Ph.D.
    Celso L. Moretti, Ph.D.


    Embrapa Hortaliças
    Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
    Embrapa Hortaliças
    Ministério da Agricultura e do Abastecimento
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