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  Doenças causadas por vírus

 

Viroses do complexo do vira-cabeça do tomateiro

A doença vira-cabeça do tomateiro é causada por várias espécies de tospovírus na família Bunyaviridae. Dentre elas, seis ocorrem no Brasil, mas somente quatro infectam o tomateiro: Tomato spotted wilt virus (TSWV), Tomato Chlorotic spot virus (TCSV), Groundnut ringspot virus (GRSV) e Chrysanthemum stem necrosis virus (CSNV). As espécies TSWV, TCSV, GRSV e CSNV apresentam um amplo círculo de hospedeiros, abrangendo mais de mil espécies botânicas, principalmente nas famílias Solanaceae e Compositae. No Brasil, as espécies de tripes, Frankliniella occidentalis e F. shultzei são importantes vetores dessas espécies de tospovírus. Uma particularidade da transmissão do vírus pelo tripes é que o vetor somente pode adquirir o vírus na fase de larva, tornando-se posteriormente apto a transmiti-lo por toda a sua vida. Outra particularidade na transmissão é que também o vírus se multiplica no vetor; portanto, a relação de transmissão é do tipo circulativa/propagativa. Em geral, os tospovírus causam grandes prejuízos econômicos às hortaliças e às plantas ornamentais. Surtos epidêmicos são observados com freqüência, principalmente nas culturas de tomate, pimentão e alface.

Os sintomas observados em plantas doentes são: arroxeamento ou bronzeamento das folhas, ponteiro virado para baixo, redução geral do porte da planta e lesões necróticas nas hastes (Figura 1). Quando maduros, os frutos de tomate apresentam lesões anelares concêntricas (Figura 2). Não existem evidências de transmissão por sementes. Atualmente existem no mercado várias cultivares/híbridos de tomate mesa e indústria com resistência aos tospovírus, todas portadoras do gene de resistência Sw-5.

 
Figura 1
Figura 2
 

Mosaico-do-fumo e mosaico-do-tomateiro

A virose do mosaico-do-fumo, causada pelo TMV (Tobacco mosaic virus), e a virose mosaico-do-tomateiro, causada pelo ToMV (Tomato mosaic virus), infectam diversas plantas. As perdas dependem da época de infecção, sendo maiores em infecções precoces. No tomateiro, esses vírus causam freqüentemente infecção latente (sem sintomas), mas estirpes severas podem induzir mosaico suave alternado com embolhamento foliar (Figura 3). No campo, a transmissão desses vírus é exclusivamente mecânica, por meio do contato direto entre plantas e mãos de operários. Outra forma de transmissão muito eficiente é por meio de sementes contaminadas.

 
Figura 3
 
Risca do tomateiro e mosaico (Potyvirus)

Duas espécies de potyvirus infectam o tomateiro: uma estirpe do vírus Y da batata (Potato virus Y – PVY) e o mosaico amarelo do pimentão (Pepper yellow mosaic virus – PepYMV). A transmissão desses vírus se dá por meio de várias espécies de pulgões ou afídeos através de picadas de prova (transmissão não persistente); portanto, a transmissão do vírus ocorre em segundos. As formas aladas são mais importantes, epidemiologicamente, do que as formas ápteras. As infecções após a floração são menos danosas. O sintoma do PVY no tomateiro manifesta-se como mosaico e necrose generalizada das nervuras das folhas, ficando a planta com aparência de pinheiro de Natal. O PepYMV induz mosaico e deformação foliar.

 
Topo-amarelo e Amarelo-baixeiro

Essas doenças são causadas por vírus de um mesmo grupo (Luteovirus), ao qual também pertence o vírus-do-enrolamento-da-folha da batata. A doença topo-amarelo caracteriza-se pela presença de folíolos pequenos, com bordas amareladas e enroladas para cima, assemelhando-se a pequenas colheres. As plantas com amarelo-baixeiro apresentam as folhas de baixo geralmente amareladas e cloróticas (Figura 4). A transmissão é exclusivamente por pulgão, que, uma vez tendo adquirido o vírus, pode transmiti-lo por toda a vida, de modo persistente. A ocorrência dessas viroses é esporádica, mas surtos epidêmicos podem ocorrer.

 
Figura 4
 
Geminiviroses

No Brasil, sem dúvida são os vírus que mais causam danos econômicos à cultura do tomate. Na última década, surtos epidêmicos de geminiviroses passaram a ocorrer em todas as regiões produtoras de tomate do Brasil, associados à introdução, no País, do novo biótipo de mosca branca, Bemisia tabaci biótipo B, também referida como B. argentifolii. Sendo a mosca branca um vetor muito móvel e com amplo círculo de hospedeiros, uma grande diversidade de espécies de geminivírus que estavam restritas às ervas daninhas migraram para o tomateiro. No presente, pelo menos seis novas espécies de geminivírus já estão relatadas no tomateiro, mas sua distinção no campo por meio de sintomatologia é impossível. Em geral, os sintomas manifestam-se como clorose das nervuras (Figura 5), a partir da base da folha, seguido de mosaico amarelo, rugosidade e até mesmo enrolamento das folhas (Figura 6). Quando a infecção é precoce, as perdas são totais e o controle é muito difícil, em razão da alta população de mosca branca presente no campo. A transmissão do vírus pela mosca branca é do tipo persistente ou circulativa, isto é, uma vez adquirido o vírus, a mosca passa a transmiti-lo por toda a sua vida.

 
Figura 5
Figura 6
 
Controle das viroses

Para o controle de viroses, devem ser tomadas medidas preventivas e em conjunto por todos os produtores da região, pois não existem medidas curativas. Recomenda-se: plantar sementes de boa procedência, ou, caso se faça a produção própria, observar os cuidados constantes no item Produção de sementes; produzir mudas em viveiro ou telado à prova de insetos e em local isolado de campos cultivados com plantas hospedeiras, principalmente solanáceas e compostas; manter sempre limpas as mãos, instrumentos e implementos, lavando-os com sabão ou detergente após cada operação; nunca fumar durante o manuseio das mudas; evitar plantios seqüenciados e, se isso não for possível, não fazer novos plantios ao lado de campos abandonados com alta incidência de viroses; controlar adequadamente as plantas daninhas.

A aplicação de inseticidas não tem qualquer efeito no controle de viroses de transmissão não-persistente, como os potyvirus. Para vírus transmitidos de forma persistente ou circulativa, a utilização de inseticidas pode ter um efeito de reduzir a incidência da doença, desde que as medidas anteriores tenham sido observadas.

 
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