A produção
de sementes de pimentas pode
ser desenvolvida nas mesmas
regiões e sob as mesmas
condições de clima
e solo recomendadas para a produção
de frutos. É desejável,
entretanto, buscar uma época
do ano com temperaturas e umidades
relativas mais baixas, para
se evitar a elevada ocorrência
de pragas e doenças.
O clima ameno não prejudica
a produção e contribui
para a obtenção
de sementes de alta qualidade,
com menores riscos de perda
de produção.
As pimentas têm flores
perfeitas e reproduzem-se preferencialmente
por autofecundação.
Entretanto, a quantidade de
polinização cruzada
natural pode variar com a cultivar
e com outros fatores ambientais,
sendo a presença de insetos
polinizadores o mais importante.
O isolamento dos campos de produção
de sementes de diferentes cultivares
deve respeitar uma distância
mínima de 300m para a
classe fiscalizada. Na produção
de sementes híbridas,
apesar da polinização
artificial ser feita antes da
abertura das flores femininas
maduras, recomenda-se manter
a separação física
de outros genótipos,
devido ao risco de contaminação
genética por insetos
(microhimenópteros) que
perfuram botões florais
fechados em busca de pólen
e néctar.
A área destinada à
produção de sementes
fiscalizadas deve variar de
um mínimo de 0,2 a um
máximo de 2 hectares,
ser de fácil acesso,
bem localizada, plana ou suavemente
inclinada, arejada, de preferência
não cultivada recentemente
com outras Solanáceas.
Deve apresentar solo leve, profundo,
bem drenado, ligeiramente ácido,
rico em matéria orgânica
e nutrientes minerais, e estar
livre de plantas daninhas, pragas
e doenças limitantes
para a cultura de pimenta. O
preparo do solo deve ser o mais
bem feito possível, iniciando
pelo enterramento profundo dos
restos da cultura anterior.
O espaçamento entre fileiras
pode ser até 50% maior
do que o comumente utilizado
na produção de
frutos, permitindo maior facilidade
na execução dos
tratos culturais, maior espaço
para a observação
das plantas e alteração
do microclima em favor da cultura.
A semeadura deve ser feita
com sementes de boa qualidade
genética, física,
fisiológica e fitossanitária.
As sementes devem ser semeadas
em bandejas de isopor, com substrato
adequado para a produção
de mudas. Quando as plântulas
apresentarem de 4-6 folhas verdadeiras
podem ser transplantadas para
local definitivo. O método
de semeadura em sacos plásticos
também tem sido muito
utilizado. O tratamento químico
é uma prática
indispensável nesse momento,
devendo-se utilizar fungicidas
à base de iprodione,
thiram, captan, carboxim ou
tiabendazol, na dose de 3g de
produto comercial por quilo
de sementes. A profundidade
da semeadura deve ser no máximo
1cm. São necessárias
100 a 150g de sementes para
suprir a necessidade de mudas
para um hectare.
Além dos tratos culturais
normais, algumas práticas
específicas podem ser
aplicadas à produção
de sementes, para alcançar
melhores resultados. O estaqueamento
das plantas evita o seu tombamento
e garante níveis mais
elevados de qualidade fitossanitária
nas sementes. A desbrota das
primeiras ramas laterais contribui
para ventilar o colo das plantas
e permite economizar energia
para a formação
das sementes. A eliminação
de plantas atípicas da
mesma espécie ou de outras
espécies silvestres e
cultivadas deve ser efetuada
rigorosamente no início
da floração e
na pré-colheita. Para
o controle de viroses, é
indispensável combater
os pulgões e outros insetos
vetores.
Na produção de
sementes híbridas, a
flor emasculada (sem as anteras)
deve ser protegida por saquinho
de papel encerado ou rolete
de papel alumínio, até
o momento da polinização.
Esta deve ser efetuada de preferência
em dias claros, de pouco vento
e sobretudo no final da manhã,
para melhorar a eficiência
de fertilização.
Os saquinhos de papel devem
voltar a proteger as flores
após a polinização.
Para algumas cultivares, a
colheita pode ser iniciada aproximadamente
aos 60 dias após o florescimento
ou quando mais de 80% dos frutos
estiverem mudando de cor. Esta
alteração indica
o atingimento do ponto de maturidade
fisiológica das sementes,
quando são observados
níveis máximos
de germinação
e vigor e níveis mínimos
de deterioração.
Recomenda-se, nessa fase, o
repouso dos frutos por três
dias, a sombra e a temperatura
ambiente para uniformizar a
maturação e facilitar
a sua trituração.
Sugere-se fazer primeiramente
a extração de
sementes dos frutos mais maduros
(coloração vermelha)
e posteriormente dos frutos
que estão em repouso.
Frutos imaturos, de coloração
verde, geralmente produzirão
sementes menos vigorosas ou
até inférteis.
As principais características
a serem selecionadas e mantidas
na fase de colheita, visando-se
qualidade total, são
o tamanho e o formato característico
dos frutos da cultivar, a ausência
de defeitos e a boa condição
fitossanitária. A produtividade
média é variável,
sendo considerada normal quando
alcança 150 a 200kg de
sementes por hectare.
A extração das
sementes pode ser feita a seco
ou por via úmida. O primeiro
processo é conduzido
manualmente, sendo mais indicado
para obtenção
de sementes em pequena escala.
A extração via
úmida é feita
mecanicamente e requer equipamentos
para o esmagamento dos frutos,
sendo mais utilizada em escala
comercial.
O processo de secagem exige
cuidados especiais. As sementes
ainda úmidas devem ser
colocadas para secar a sombra,
em ambiente fresco e ventilado,
perdendo lentamente a umidade
superficial para o ambiente.
A movimentação
das sementes é desejável
nessa fase inicial. A temperatura
não deve ultrapassar
os 30ºC, sob pena de se
danificar o sistema de membranas
das células embrionárias.
Uma vez eliminada a umidade
superficial, as sementes devem
ser transferidas para estufas
elétricas reguladas a
38ºC, onde devem permanecer
de 24 a 48 horas até
atingirem grau de umidade próximo
a 6%.
A análise das sementes
deve ser conduzida ‘sobre
papel’, de acordo com
as Regras para Análise
de Sementes – RAS do Ministério
da Agricultura, Pecuária
e do Abastecimento - MAPA. A
condição recomendada
é a manutenção
por 16h a 20ºC e 8h a 30ºC.
A primeira contagem deve ser
feita aos seis dias e a contagem
final aos 14 dias após
a instalação do
teste. Em caso de dormência,
as RAS prescrevem umedecer o
substrato inicialmente com uma
solução de nitrato
de potássio (0,2%), em
vez de água, ou fornecer
luz por 8 a 16 horas.
A embalagem correta das sementes
contribui para a preservação
das qualidades originais do
lote, fazendo com que cheguem
perfeitas ao destino e apresentem
um bom desempenho fisiológico
na nova semeadura. As sementes
de pimentas devem ser embaladas
com grau de umidade de 6%, em
latas ou sacos de papel aluminizado
contendo 100g do produto. Nessa
condição, o seu
poder germinativo normalmente
fica garantido pelo prazo de
três anos.
O armazenamento deve ser feito
de preferência em ambiente
frigorificado, com temperatura
próxima a 4ºC, se
as sementes estiverem acondicionadas
em embalagens herméticas.
Secas e resfriadas, as sementes
reduzem o nível interno
de atividade metabólica,
consomem menos energia através
da respiração
e mantém a sua viabilidade
por períodos mais prolongados. |