Doenças
de plantas são anormalidades
provocadas geralmente por microrganismos,
como bactérias, fungos,
nematóides e vírus,
mas podem ainda ser causadas
por falta ou excesso de fatores
essenciais para o crescimento
das plantas, tais como nutrientes,
água e luz. Neste caso,
são também conhecidas
como distúrbios fisiológicos.
Várias são as
medidas que podem ser adotadas
para evitar a ocorrência
de doenças em plantas
ou mesmo reduzir seu impacto
no produto comercial. A observação
harmoniosa de um conjunto de
medidas de controle, também
conhecido como controle integrado,
tem como objetivo principal
a redução da necessidade
do uso de agrotóxicos.
Para que as doenças
sejam bem controladas é
necessário que a cultura
seja bem conduzida, ou seja,
que a planta não esteja
sujeita a estresses provocados
por fatores diversos, tais como
época de plantio desfavorável,
adubação desbalanceada,
ferimentos nas plantas, competição
com plantas daninhas e o uso
de cultivares não adaptadas
ao clima. Dentre estes fatores,
deve ser dada atenção
especial ao tipo de solo e modo
de irrigação.
Plantas de pimenta são
muito sensíveis a solos
encharcados e morrem prematuramente
por esta causa. O controle de
doenças de plantas é,
mais que tudo, ‘medicina
preventiva’, ou seja,
a estrita observação
de medidas que devem ser adotadas
antes mesmo do plantio.
A seguir, são mencionadas
algumas medidas para evitar
o aparecimento de doenças
ou reduzir seu efeito:
1. Plantar sementes de boa
qualidade, adquiridas de firmas
idôneas. Em caso de produção
própria, devem ser escolhidas
as plantas saudáveis
para se retirar sementes. Muitas
doenças das pimentas
são transmitidas pela
semente;
2. Preferir variedades bem
adaptadas ao clima local e à
época de plantio, e que
tenham resistência às
principais doenças que
ocorrem na região. Estas
informações podem
ser obtidas em catálogos
de empresas de sementes;
3. Escolher para instalação
da cultura uma área bem
ventilada, que não tenha
histórico de plantio
recente com solanáceas
(pimentão, tomate, berinjela,
jiló), com solo bem drenado,
não sujeita a empoçamento
de água;
4. Fazer uma adubação
balanceada, baseada em análise
do solo. Falta ou excesso de
nutrientes são causas
freqüentes de distúrbios
fisiológicos graves;
5. Produzir ou adquirir mudas
sadias. Infecções
precoces, provocadas por semente
contaminada ou substrato infestado,
dificultam sobremaneira a manutenção
da sanidade nas plantas adultas.
Sementeiras devem ser feitas
preferencialmente em telados
instalados em locais separados
do campo de cultivo, onde as
mudas ficam protegidas de vetores
de viroses;
6. Evitar o excesso de água
na irrigação,
pois este é o fator que
mais afeta o desenvolvimento
de doenças, em especial
aquelas associadas ao solo;
7. Usar água de irrigação
de boa qualidade, que não
tenha sofrido contaminação
antes de chegar à propriedade;
8. Controlar os insetos que
são vetores de viroses
e que provocam ferimentos nas
plantas, principalmente nos
frutos;
9. Evitar ferimentos à
planta durante as operações
de amarrio, capinas, irrigação
ou outros tratos culturais;
10.Realizar as pulverizações
de preferência de forma
preventiva, quando as condições
climáticas forem favoráveis
a uma determinada doença.
Após o seu estabelecimento,
a maioria das doenças
não pode mais ser controlada;
11.Evitar ao máximo
o trânsito de pessoas
e de máquinas que podem
levar estruturas de patógenos
de uma área para outra.
Em cultivos protegidos, recomenda-se
colocar uma caixa com cal virgem
na entrada para desinfestação
de calçados;
12.Destruir os restos culturais,
que normalmente hospedam populações
de patógenos e insetos.
Esta destruição
pode ser feita por enterrio
profundo ou queima controlada;
13.Realizar rotação
de culturas, de preferência
com gramíneas, tais como
milho, trigo, arroz, sorgo ou
capim. Esta medida é
muito importante para o controle
de doenças de solo, mais
difíceis de serem controladas;
14.Inspecionar a lavoura com
freqüência para identificar
possíveis focos de doença,
ainda em seu início.
Principais doenças
das pimentas
As pimentas podem ser atacadas
por muitas doenças, que
assumem diferentes graus de
importância dependendo
principalmente da época
de plantio. A seguir, são
apresentadas as principais doenças
das pimentas que ocorrem no
Brasil, enfatizando algumas
medidas específicas de
controle.
Doenças
causadas por fungos
Tombamento
Murcha-de-fitóftora
Mancha-de-cercóspora
Antracnose
Oídio
Mancha-aveludada
Doenças
causadas por bactérias
Murcha-bacteriana
Mancha-bacteriana
Talo-oco
Doenças
causadas por vírus
Doença
causadas por nematóides
Nematóide-das-galhas
Distúrbios
fisiológicos e causados
por artrópodes
Podridão-apical
Clorose-internerval
Clorose-das-folhas
Fumagina
Doenças
de pós-colheita
Doenças
causadas por fungos
Tombamento
- Pythium spp., Phytophthora
spp. e Rhizoctonia solani
É uma doença
que afeta plantas jovens e ocorre
em sementeiras, em copinhos,
em bandejas ou em mudas recém
transplantadas. É provocada
por fungos de solo, que podem
também estar presentes
na água de irrigação.
Com a crescente utilização
de bandejas contendo substratos
produzidos comercialmente, este
problema tem se tornado cada
vez menor.
Mudas afetadas apresentam escurecimento
ou apodrecimento na base do
caule, provocando o tombamento
da planta. Sob leve pressão,
o topo da planta se desprende
sem que a raiz seja arrancada.
A doença evolui normalmente
em reboleiras.
Controle
- Não fazer a sementeira
em solo anteriormente cultivado
com solanáceas;
- Usar substrato comercial
e bandejas de isopor novas
ou desinfestadas com água
sanitária para a produção
de mudas; no caso de se usar
saquinhos para produzir as
mudas, utilizar solo esterilizado;
- Irrigar com moderação,
pois os fungos envolvidos
no tombamento são favorecidos
por alta umidade;
- Produzir as mudas em local
ventilado, de preferência
em casa de vegetação
ou telado. A bancada deve
ser ripada ou telada, para
permitir o escorrimento do
excesso da água de
irrigação;
- Usar água de boa
qualidade para irrigação,
que não tenha possibilidade
de ter sido contaminada até
chegar à propriedade.
Voltar
Murcha-de-fitóftora
(requeima, podridão-de-fitóftora,
pé-preto) - Phytophthora
capsici
É uma das principais
doenças das pimentas
no Brasil. Provoca maiores perdas
no verão, pois é
favorecida por alta temperatura
e alta umidade do solo. As plantas
afetadas apresentam murcha repentina
observada inicialmente nas horas
mais quentes do dia. É
comum aparecerem várias
plantas murchas ao mesmo tempo,
em fileiras ou em reboleiras.
Poucos dias após o murchamento
inicial, a planta morre, ocasião
em que pode ser observado um
escurecimento na base do caule.
Sob alta umidade do ar, pode
ocorrer também a infecção
de partes aéreas da planta,
com manchas escuras e amolecidas
nas folhas e no caule.
Controle
- Usar solo ou substrato
esterilizado para produzir
mudas;
- Evitar plantios em períodos
quentes e úmidos do
ano;
- Plantar em local bem ventilado;
- Plantar em solos bem drenados,
não sujeitos a encharcamento;
- Em época de chuvas,
plantar em camalhões,
que evitam o acúmulo
de água no pé
da planta;
- Fazer um manejo adequado
da irrigação,
evitando fornecer excesso
de água à planta;
- Fazer rotação
de culturas, de preferência
com gramíneas. As cucurbitáceas
(abóbora, moranga,
melancia, melão) devem
ser evitadas por serem também
atacadas pelo patógeno.
Voltar
Mancha-de-cercóspora
- Cercospora capsici
É uma doença
favorecida por temperatura acima
de 25 °C e umidade do ar
acima de 90%. Plantas com estresse
nutricional são mais
sensíveis à doença.
Pode ser transmitida pelas sementes
e pelo vento. Os sintomas ocorrem
principalmente nas folhas, na
forma de manchas circulares
marrons, com o centro cinza
claro, que às vezes pode
rasgar ou se desprender da lesão,
dando um aspecto de folha furada.
As manchas podem alcançar
um diâmetro superior a
um centímetro. As folhas
mais velhas podem amarelecer
e cair em função
do ataque da doença.
Controle
- Plantar sementes de boa
qualidade, adquirida de firma
idônea, ou mudas comprovadamente
sadias;
- Evitar o plantio próximo
a culturas velhas;
- Pulverizar preventivamente
com fungicidas registrados
para a cultura;
- Adubar corretamente a plantação,
com base em análise
de solo;
- Fazer um bom manejo da
irrigação, evitando
aplicar excesso de água,
adotando-se o sistema de gotejamento;
- Evitar plantios em épocas
com alta intensidade de chuva,
especialmente quando a temperatura
for alta;
- Eliminar os restos de cultura
logo após a última
colheita;
- Fazer rotação
de culturas por, pelo menos,
um ano.
Voltar
Antracnose
(Colletrotrichum spp.)
Sua importância é
reconhecida quase que exclusivamente
pelas lesões que provoca
em frutos, em campo ou após
a colheita. É mais problemática
em cultivos de verão,
quando ocorrem temperatura e
umidade altas. O patógeno
é disseminado por sementes
infectadas e por respingos de
água de chuva ou irrigação.
A doença se inicia como
pequenas áreas redondas
e deprimidas, que crescem rapidamente
e podem atingir todo fruto.
Sob alta umidade, o centro das
lesões fica recoberto
por uma camada cor-de-rosa,
formada por esporos do fungo.
Os frutos atacados não
caem e as lesões permanecem
firmes, a não ser que
haja invasão de organismos
secundários que aceleram
a sua deterioração.
Controle
- Fazer o plantio menos adensado
em época favorável
à doença, para
permitir melhor ventilação
entre as plantas;
- Fazer um manejo adequado
da irrigação,
evitando excesso de água.
A irrigação
por gotejamento, por não
provocar o molhamento da parte
aérea, reduz drasticamente
a chance de aparecimento da
doença;
- Pulverizar preventivamente
a cultura no início
de frutificação
com fungicidas registrados;
- Destruir os restos culturais
imediatamente após
a última colheita;
- Fazer rotação
de culturas, de preferência
com gramíneas.
Voltar
Oídio
- Oidiopsis taurica
Ataca com maior intensidade
os cultivos irrigados por gotejamento.
Inicialmente, são observadas
manchas cloróticas na
superfície superior das
folhas. Sob condições
favoráveis à doença,
estas manchas tornam-se necróticas
ou com muitas pontuações
negras, com formato pouco definido.
A superfície inferior
da folha fica recoberta com
estruturas esbranquiçadas
do fungo, podendo levar a uma
clorose geral da folha. Entretanto,
pode ocorrer clorose e necrose
sem que se perceba claramente
o ‘pó branco’,
dificultando o diagnóstico
da doença. Folhas muito
atacadas podem cair, e os frutos
não são atacados
pela doença.
Controle
- Evitar plantar nas proximidades
de plantas velhas de pimentão
ou tomate;
- Adubar corretamente as
plantas, de acordo com análise
do solo;
- Fazer irrigação
por aspersão, levando-se
em conta que esta técnica
pode intensificar o ataque
de outras doenças;
- Pulverizar preventivamente
com fungicidas registrados;
- Destruir os restos culturais
logo após a última
colheita.
Voltar
Mancha-aveludada
- Phaeoramularia sp.
Ocorre esporadicamente em algumas
regiões do Brasil. Pode
causar algum dano à planta
somente em condição
de alta umidade e alta temperatura,
principalmente em locais sombreados.
Os sintomas consistem inicialmente
de manchas cloróticas
arredondadas na superfície
superior da folha. Com o desenvolvimento
da doença, na parte inferior
da folha surgem lesões
acinzentadas devido à
presença de esporos do
fungo. As folhas velhas são
as mais atacadas e podem cair
sob alta infestação.
Os frutos não apresentam
sintomas desta doença.
Controle
- Fazer rotação
de culturas, preferencialmente
com gramíneas;
- Evitar plantios em áreas
pouco ventiladas;
- Não plantar próximo
a cultivos velhos de pimentão;
- Adubar a planta com base
em análise de solo;
- Manejar a irrigação,
evitando-se excesso de água.
Voltar
Doenças
causadas por bactérias
Murcha-bacteriana
(murchadeira) - Ralstonia
solanacearum
Causa perdas em pimentas somente
quando a temperatura e a umidade
são muito altas, situação
que é freqüente
em regiões Norte e Nordeste
do Brasil e ainda em alguns
pólos de produção
de terras baixas na Região
Sudeste. A bactéria não
é transmitida pela semente,
mas pode ser introduzida em
um campo através de mudas
infectadas, água contaminada
e solo infestado aderido a máquinas
agrícolas. Plantas afetadas
podem não murchar, e
apresentar apenas uma redução
em crescimento. Quando murcham,
os sintomas aparecem inicialmente
nas horas mais quentes do dia.
As folhas novas murcham primeiro,
às vezes de um só
lado da planta. O tecido exposto
pelo descascamento da base do
caule de planta murcha fica
amarronzado. Na maioria das
vezes, a doença só
é percebida a partir
do início da frutificação.
Controle
- Escolher a área
de plantio, que não
deve ter histórico
da doença em solanáceas
ou em outras hospedeiras de
R. solanacearum;
- Evitar a contaminação
do solo através de
pessoal e máquinas
que transitam por áreas
contaminadas;
- Plantar em solos com boa
drenagem, não sujeitos
a encharcamento;
- Plantar nas épocas
menos quentes do ano;
- Não irrigar em excesso;
- Evitar ferimentos nas raízes
e na base da planta;
- Arrancar, colocar em saco
de plástico e retirar
do campo as plantas com sintomas
iniciais de murcha, espalhando
aproximadamente 100 gramas
de cal virgem na superfície
da cova vazia;
- Evitar o uso de plástico
preto como cobertura do solo
durante o verão, porque
mantém a temperatura
e a umidade do solo excessivamente
elevadas.
Observação:
O controle químico não
é economicamente viável.
As cultivares disponíveis
não apresentam níveis
satisfatórios de resistência.
Voltar
Mancha-bacteriana
(pústula-bacteriana)
- Xanthomonas campestris pv.
vesicatoria
É comum em locais onde
prevalecem altas temperatura
e umidade, como no período
de verão. Chuvas de vento
seguidas de nebulosidade prolongada
favorecem a disseminação,
a penetração e
a multiplicação
da bactéria, resultando
em ataques severos da doença.
Os sintomas mais visíveis
aparecem em plantas adultas.
As folhas mais velhas são
as mais atacadas e apresentam
lesões de formato irregular,
de cor verde-escura e com aspecto
encharcado. Sob condições
favoráveis à doença,
as lesões formam manchas
grandes e com aspecto ‘melado’
nas folhas. As folhas atacadas
amarelecem e caem, sendo esta
uma das características
mais marcantes da doença.
A desfolha provocada pela doença
ocorre de baixo para cima. Nos
frutos, a bactéria causa
manchas similares a verrugas,
inicialmente esbranquiçadas
e depois com os centros escurecidos.
Controle
- Plantar sementes e mudas
isentas do patógeno,
produzidas por firmas idôneas;
- Evitar plantios em épocas
quentes e sujeitas a chuvas
freqüentes;
- Não usar sementes
provenientes de lavouras em
que houve ocorrência
da doença;
- Não irrigar em excesso,
principalmente por aspersão;
- Pulverizar preventivamente
com fungicidas cúpricos,
que também têm
ação bactericida;
- Destruir os restos culturais
logo após a última
colheita;
- Fazer rotação
de culturas, de preferência
com gramíneas.
Voltar
Talo-oco
(podridão-mole)
- Erwinia spp.
Causa prejuízos somente
em cultivos conduzidos sob alta
temperatura e alta umidade.
Nesta condição,
caules e frutos com injúrias
mecânicas ou provocadas
por insetos, apodrecem rapidamente.
Os pontos da planta mais sensíveis
ao ataque inicial da doença
são aqueles onde há
um acúmulo de água,
como as bifurcações
do caule e a região peduncular
dos frutos. O caule afetado
escurece e seca devido ao apodrecimento
da medula. Nos frutos, o ataque
ocorre principalmente a partir
de ferimentos causados por insetos.
Após a colheita, a bactéria
pode iniciar o apodrecimento
mole em frutos contaminados
externamente por ferimentos
resultantes do manuseio inadequado
durante a colheita, transporte
e comercialização.
Controle
- Evitar plantio em locais
muito úmidos, especialmente
durante o verão;
- Evitar o excesso de água
na irrigação;
- Evitar ferimentos na planta
durante os tratos culturais
e nos frutos na colheita,
transporte e comercialização;
- Adubar corretamente a cultura,
de acordo com a análise
do solo. O excesso de nitrogênio
promove crescimento exagerado
da folhagem, formando um ambiente
favorável à
doença;
- Pulverizar com fungicidas
cúpricos, principalmente
quando houver ferimentos nas
plantas, como após
amarrio, desbrota ou a ocorrência
de granizo;
- Controlar insetos que provocam
ferimentos nos frutos;
- Após a colheita,
manter os frutos secos e em
local bem ventilado.
Voltar
Doenças
causadas por vírus
Vários vírus
podem atacar os pimentais, como
os tospovirus (vírus
do vira-cabeça), transmitidos
por algumas espécies
de tripes, e os potyvirus (mosaicos),
transmitidos por pulgões.
Os sintomas são muito
variáveis, dependendo
da espécie e da variedade
de pimenta, da espécie
do vírus, do grau de
virulência da estirpe
do vírus, da época
em que a planta foi infectada
e das condições
ambientais, principalmente da
temperatura. A planta infectada
normalmente tem o seu desenvolvimento
retardado. As folhas mais novas
ficam pequenas, deformadas e
apresentam diferentes tonalidades
de verde e amarelo, com pontuações
necróticas, algumas vezes
com pequenos anéis concêntricos.
Nos frutos, também ocorrem
deformações, mosaico,
necrose e anéis, estes
normalmente de tamanho maior
que nas folhas. Na maioria das
vezes, não é possível
diagnosticar as espécies
de vírus envolvidas,
através dos sintomas,
sendo necessários testes
em laboratório
Controle
- As medidas de controle
de vírus são
preventivas e devem ser seguidas
por todos os produtores de
uma região;
- Medidas de higienização
têm um efeito considerável
na redução da
incidência da doença:
eliminar campos abandonados,
erradicar plantas com sintomas
no plantio quando a incidência
for baixa, manter o campo
e arredores livres de plantas
daninhas;
- Produzir mudas em local
protegido de insetos vetores,
afastado dos campos de produção
e pulverizando-as periodicamente
para evitar que se infectem
precocemente;
- Plantar as mudas no maior
estádio de desenvolvimento
possível, de modo a
retardar as infecções
precoces em campo pelo vetor;
- Pulverizar contra o vetor
somente nos primeiros dias
após o transplante;
- Plantar cultivares resistentes.
Embora na atualidade praticamente
não existam cultivares
resistentes disponíveis,
deve-se consultar as companhias
de semente para novas cultivares
com esta característica.
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Doença
causadas por nematóides
Nematóide-das-galhas
- Meloidogyne incognita
Ocorre com maior intensidade
durante o período mais
quente do ano. A doença
é mais severa em solos
arenosos. Pode se tornar limitante
quando se planta pimenta sucessivamente
na mesma área ou quando
se faz rotação
com outra cultura suscetível,
como feijão de vagem,
quiabo e tomate. A doença
se manifesta normalmente em
reboleiras. As plantas afetadas
apresentam sintomas que sugerem
a deficiência de água
e de nutrientes, ou seja, desenvolvimento
abaixo do normal, amarelecimento
das folhas e murchamento. Estes
sintomas se devem à formação
de galhas (engrossamentos) e
apodrecimento das raízes,
que perdem a capacidade normal
de absorver água e nutrientes
do solo.
Controle
- Evitar os plantios em períodos
quentes do ano, principalmente
em terrenos sabidamente infestados;
- Plantar em terreno sem
o histórico da doença,
ou seja, que não tenha
sido plantado anteriormente
com espécies suscetíveis;
- Plantar mudas de boa qualidade,
que não estejam infectadas
pelo patógeno;
- Fazer rotação
de culturas com gramíneas;
- Utilizar matéria
orgânica no plantio,
que favorece microorganismos
antagônicos aos nematóides.
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Distúrbios
fisiológicos e causados
por artrópodes
Podridão-apical
- Deficiência
de cálcio
É causada pela deficiência
de cálcio durante o desenvolvimento
dos frutos. Ocorre em solos
com baixo teor de cálcio
ou em condições
que dificultam a sua absorção,
como irrigação
deficiente e danos às
raízes. A lesão
inicia-se como uma área
encharcada na região
apical-lateral do fruto. À
medida que o fruto cresce, a
parte afetada vai se tornando
amarronzada, endurecida, ressecada
e deprimida, sendo comum o crescimento
de fungos secundários
na sua superfície. Frutos
com podridão-apical amadurecem
precocemente.
Controle
- Fazer adubação
balanceada, baseada em análise
do solo;
- Manter as plantas bem irrigadas,
evitando períodos com
falta ou excesso de água.
Voltar
Clorose-internerval
- Deficiência de magnésio
Raramente ocorre em plantios
bem conduzidos, quando a adubação
é feita baseada em análise
do solo. A calagem feita com
calcário dolomítico
normalmente evita este distúrbio
porque contém magnésio.
Os sintomas são mais
visíveis após
o início de frutificação,
pois o magnésio é
translocado para os frutos em
desenvolvimento. As folhas mais
velhas são as mais afetadas.
O sintoma típico é
a clorose entre as nervuras.
Controle
- Adubar corretamente as
plantas, de acordo com análise
do solo;
- Controlar a água
de irrigação,
evitando falta ou excesso;
- Utilizar calcário
dolomítico na correção
de acidez do solo;
- Pulverizar com sulfato
de magnésio na dosagem
de 1,5%.
Voltar
Clorose-das-folhas
- Deficiência de nitrogênio
É de rara ocorrência
em cultivos bem conduzidos,
adubados corretamente. Como
no caso do magnésio,
deve-se levar em conta que este
distúrbio pode ser devido
a problemas fisiológicos
ou patológicos no sistema
radicular, que afetam a absorção
de nutrientes pela planta, ou
com o esgotamento deste nutriente
em plantas com longo ciclo produtivo.
Toda a folhagem fica amarelecida
e a planta apresenta um desenvolvimento
lento. A não ser por
uma redução de
tamanho, não se observam
sintomas típicos de deficiência
de nitrogênio nos frutos.
Controle
- Adubar as plantas com base
em análise do solo,
inclusive em cobertura;
- Adotar medidas que mantenham
o sistema radicular sadio;
- Irrigar corretamente as
plantas.
Voltar
Fumagina
Ocorre em conseqüência
da infestação
de pulgões, moscas brancas
ou cochonilhas, que secretam
substância adocicada na
superfície de folhas
e frutos, onde se desenvolve
um fungo de cor escura. Este
fungo não infecta nenhum
órgão da planta,
mas dá um aspecto estranho
e desagradável e pode
afetar a capacidade de fotossíntese.
O nome da doença é
devido ao aspecto de fuligem
na superfície das folhas,
ramos e frutos.
Controle
- Controlar insetos;
- Evitar plantios adensados.
Voltar
Doenças
de pós-colheita
Doenças de pós-colheita
em frutos de pimentas são
provocadas principalmente pelo
fungo Colletotrichum spp. (antracnose)
e pela bactéria Erwinia
spp. (podridão-mole)
em períodos de alta umidade
e no verão. As duas doenças
podem provocar perdas significativas
porque os frutos doentes são
descartados durante a comercialização.
Os fungos Geotrichum sp. e Rhizopus
sp. Também podem causar
podridão nos frutos principalmente
após a ocorrência
de ferimentos e danos mecânicos.
O pedúnculo dos frutos
pode ser atacado por fungos,
como Alternaria alternata, Fusarium
spp. e Cladosporium fulvum,
e bactérias como Erwinia
spp., comprometendo a qualidade
visual dos frutos.
Controle
- Garantir, através
de medidas de controle químico
e/ou cultural, a sanidade
dos frutos no período
que antecede a colheita (caso
seja feito o controle químico,
o período de carência
dos produtos deve ser rigorosamente
observado);
- Colher os frutos quando
estes estiverem secos;
- Colher, selecionar e transportar
os frutos de maneira que ocorra
o mínimo de ferimentos,
que são as principais
portas de entrada dos patógenos;
- Usar contentores apropriados
para colheita e transporte,
fáceis de serem lavados
e desinfestados, e que produzem
menos injúrias nos
frutos;
- Quando os frutos são
lavados, somente deve-se acondicioná-los
nas embalagens depois que
eles estiverem completamente
secos;
- A água usada para
lavar os frutos deve ser isenta
de agrotóxicos e de
microorganismos;
- Os frutos comercializados
em sacos de plástico,
bandejas de isopor recobertas
por filme plástico
de PVC ou caixas plásticas
do tipo ‘PET’,
ou outras embalagens fechadas
devem ser mantidos sob refrigeração;
- Frutos comercializados a
granel devem ser expostos
em ambiente bem ventilado,
evitando bolsões de
umidade, onde podem iniciar-se
focos de podridões;
- Frutos podres devem ser
eliminados para evitar a contaminação
de frutos vizinhos.
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