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  Plantas Daninhas

 

O conhecimento dos aspectos gerais da biologia das plantas daninhas como: origem e distribuição, classes, ciclo de vida, importância econômica, tipos de reprodução, dormência das sementes ou propágulos vegetativos, e a interferência que elas causam na cultura de cenoura é essencial para definir as medidas de prevenção e controle. Práticas inadequadas de manejo das plantas daninhas tendem a aumentar o banco de sementes no solo agravando ainda mais o problema nos cultivos subsequentes.

Em geral, as plantas daninhas adaptam-se melhor no meio ambiente do que as plantas de cenoura, crescendo mais vigorosas, principalmente nos primeiros estádios de crescimento. Assim, é necessário manter as áreas de cultivos livres da interferência de plantas daninhas, pelo menos durante o período crítico, ou seja, até que a cultura se desenvolva, cubra suficientemente a superfície do solo, e não sofra mais a interferência negativa delas. O período crítico de interferência das plantas daninhas na cultura ocorre, em geral, da terceira até a sexta semana após a emergência, variando basicamente de acordo com o banco de sementes no solo, condições edafoclimáticas e o sistema de cultivo.

O controle das plantas daninhas pode ser feito por métodos culturais, manuais ou mecânicos, ou químico com o uso de herbicidas. A escolha e a eficiência de uso de cada um desses métodos depende da natureza e interação das plantas daninhas, da época de execução do controle, das condições climáticas, do tipo de solo, dos tratos culturais, do programa de rotação de culturas, da disponibilidade de herbicidas e da disponibilidade de mão-de-obra e equipamentos.

Os métodos culturais consistem de aração e gradagem da área com antecedência em relação ao plantio, de modo a favorecer a emergência das plantas daninhas e assim facilitar a sua eliminação pela capina ou incorporação por ocasião do levantamento dos canteiros.

As plantas daninhas podem ser eliminadas manual ou mecanicamente por ocasião do desbaste, com o emprego de sacho ou enxada estreita entre as linhas de plantas. Entretanto, o cultivo mecânico apresenta o inconveniente de não eliminar as plantas daninhas entre plantas nas fileiras e, muitas vezes, danificar as raízes da cenoura. O controle químico das plantas daninhas destaca-se como um dos métodos de controle mais eficientes, possibilitando cultivar áreas relativamente extensas com gasto reduzido de mão-de-obra na limpeza das plantas daninhas.

Quanto ao emprego de herbicidas, vários produtos podem ser utilizados. A escolha deve ser feita de acordo com as espécies de plantas daninhas presentes e as características do produto (princípio ativo, seletividade, época de aplicação e efeito residual). Algumas das espécies de plantas daninhas comuns em plantações de cenoura e suas susceptibilidades aos herbicidas registrados para a cultura são apresentadas na Tabela 1.

O preparo do solo deve ser bem feito, livre de torrões e de resíduos dos restos culturais facilitando, desse modo, o controle das plantas daninhas, promovendo a germinação e o crescimento vigoroso das plantas de cenoura, diminuindo, consequentemente, a competição das plantas. Irrigações por ocasião da aração facilitam o preparo e promovem a germinação das plantas daninhas as quais são eliminadas durante o preparo final (cerca de 15 dias após a aração) do leito de plantio. Adicionalmente, o bom preparo do solo melhora o comportamento dos herbicidas de pré-emergência como linuron, oxadiazon e prometrine.

Sempre que o solo for revolvido e submetido a umidade favorável (chuva ou irrigação) as sementes das plantas são estimuladas a germinar e desenvolver rapidamente. Recomenda-se fazer o preparo do solo 2 a 3 semanas antes do semeio para permitir a germinação, crescimento e o controle pós-emergente das plantas daninhas na área pela aplicação de herbicidas não seletivos de ação de contato como diquat e paraquat ou sistêmica como glyphosate, podendo ser realizada antes ou após o plantio. Quando a aplicação é feita após o plantio sobre as plantas daninhas emergidas (4 a 6 folhas definitivas) e obrigatoriamente antes da emergência da cenoura pode-se combinar herbicidas de ação residual (linuron, oxadiozon ou prometryne) em pré-emergência melhorando o espectro e tempo de controle. As plantas emergidas são eliminadas pelos herbicidas de contato ou sistêmico e aquelas em processo de germinação pelos herbicidas residuais. Em áreas com baixa infestação, pode-se aplicar, preferencialmente, herbicidas pós-emergentes como clethodim, fenoxaprop-p, fluazipfop-p, para o controle de gramíneas e linuron para o controle de dicotiledôneas.

O tipo de solo (arenoso ou argiloso) e o teor de matéria orgânica são fatores que devem ser levados em consideração para a definição da dose do herbicida a ser aplicada em pré-plantio e pré-emergência. Em solos arenosos e com baixos teores de matéria orgânica, recomenda-se usar a menor dosagem registrada no rótulo da embalagem.

Os herbicidas de pré-plantio incorporado devem ser aplicados com o solo bem preparado, seco e livre de plantas daninhas e imediatamente incorporados até 10 cm de profundidade. Os herbicidas de pré-plantio ou pré-emergência devem ser aplicados com o solo bem preparado, livre de plantas daninhas e com a umidade próxima da capacidade de campo. Os herbicidas de pós-plantio ou pós-emergência devem ser aplicados quando as plantas daninhas estiverem ainda no início do desenvolvimento e quando as folhas estiverem enxutas.

Para melhorar o controle, pode-se combinar a aplicação isolada dos herbicidas ou da mistura registrada dos princípios ativos (Tabela 2), desde que observada a susceptibilidade das plantas daninhas e modo de ação e seletividade dos herbicidas. A eficiência do uso de herbicida é condicionada também à calibração do equipamento; ou seja, à pressão, tipo e numeração de bicos, à velocidade da aplicação e aos cálculos corretos das dosagens recomendadas nos rótulos das embalagens.

 
Tabela 1 – Susceptibilidade de algumas espécies de plantas daninhas aos herbicidas registrados para a cultura da cenoura
 
 
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Tabela 2 - Herbicidas registrados para a cultura de cenoura – Agrofit 2002, MAPA/SDSV/DIPROF.
 
 
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