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 A Embrapa Hortaliças
 
       
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  Preparo do solo
Ronessa Bartolomeu de Souza
Francisco Vilela Resende
Nuno Rodrigo Madeira
 

O manejo criterioso da adubação consiste em otimizar a produtividade, satisfazendo as necessidades da cultura pela adoção de técnicas que propiciem maior eficiência no uso dos adubos, da água, da mão de obra e dos demais insumos, minimizando as perdas de nutrientes por lixiviação, erosão e volatilização. A aplicação racional de fertilizantes exige o conhecimento da disponibilidade de nutrientes no solo, das exigências nutricionais da cultura e da avaliação do estado nutricional das plantas.

A disponibilidade de nutrientes é avaliada por meio da análise química do solo, e o estado nutricional das plantas por meio da diagnose foliar (análise de tecidos vegetais) e diagnose visual (observação de sintomas de carência ou excesso).

Independente do sistema de cultivo, seja convencional, plantio direto ou orgânico, é fundamental o preparo adequado do solo, a correção da acidez e a aplicação de fertilizantes em quantidades adequadas, de acordo com as exigências da cultura e considerando a disponibilidade de nutrientes no solo.

As recomendações de calagem e adubação para o cultivo da cebola são praticamente as mesmas para os métodos de plantio por semeadura direta, por mudas, por bulbinhos ou por bulbos de soqueira, variando apenas com o sistema de cultivo. O sistema de plantio direto ou cultivo mínimo, de uso relativamente recente no Brasil, vem utilizando as recomendações de adubação e calagem do sistema convencional sem nenhum prejuízo. Inclusive, têm sido constatadas produtividades elevadas em virtude de menores perdas dos fertilizantes aplicados. Por outro lado, o preparo e o manejo do solo são totalmente diferentes do sistema convencional. Já no sistema orgânico de plantio, mesmo quando o preparo do solo é feito de maneira similar ao convencional, por meio de aração e gradagem, a adubação e o manejo do sistema são vistos e praticados de maneira totalmente diversa. Em sistemas orgânicos de produção, deve ser evitado o manejo das adubações de forma similar ao sistema de agricultura convencional. Fazer adubações com a mesma quantidade e freqüência do sistema convencional pode não apresentar os resultados esperados, pois algumas fontes orgânicas apresentam liberação lenta de nutrientes para as plantas e estes nutrientes estão ligados a moléculas complexas, dependendo de processos bioquímicos para se tornarem disponíveis.

Sistema convencional

Preparo do solo e calagem

A cebola desenvolve-se melhor em solos profundos, ricos em matéria orgânica, com boa retenção de umidade, bem drenados e “leves”. Em geral, os solos de textura média, quando bem drenados, são os mais indicados por possuírem boas condições físicas e maior eficiência produtiva. Entretanto, é possível cultivar cebola em solos argilosos, como por exemplo os Latossolos Vermelhos provenientes de rochas basálticas, comuns no estado de São Paulo e no Sul do Brasil, desde que apresentem as características descritas acima. Solos muito arenosos apresentam o inconveniente da baixa retenção de umidade e possibilidade de lixiviação de adubos, que podem contaminar águas subterrâneas causando problemas ambientais. Solos muito argilosos e “pesados” prejudicam o desenvolvimento dos bulbos e podem causar deformações e baixa qualidade comercial.

Para o preparo do solo neste sistema, geralmente são feitas uma a duas arações e duas gradagens. Quando o semeio é realizado diretamente no campo, o solo deve estar obrigatoriamente bem destorroado e aplainado, de modo a obter-se uniformidade na distribuição das pequenas e irregulares sementes de cebola. No caso de transplante de mudas, o destorroamento não precisa ser tão intenso, de forma que, dependendo das características do solo, muitas vezes são suficientes apenas uma aração visando atingir a profundidade de pelo menos 20 cm seguida por uma gradagem. Para o plantio de bulbinhos ou soqueira seguem-se as mesmas recomendações de preparo do solo para o sistema de mudas.

Ainda sobre o plantio de mudas, imediatamente após a gradagem faz-se o levantamento dos canteiros. Entretanto, em solos bem drenados, sem problemas de compactação, pode-se prescindir desta operação fazendo o transplante das mudas no nível do solo.

A cebola é relativamente sensível à acidez dos solos, desenvolvendo-se melhor em condições de pH (em água) de 6,0 a 6,5 e de, no máximo, 5% de saturação por Al3+. Dessa forma, a calagem é fundamental para o cultivo da cebola nos solos brasileiros, em sua maioria ácidos e com teores elevados de alumínio trocável. A calagem deve ser calculada com base na análise de solo, utilizando-se de um dos critérios descritos a seguir:

Método da elevação da porcentagem de saturação por bases

t.ha-1 de calcário = (V2 - V1).T/PRNT, em que:

V2 = 70% (saturação por bases desejada);

V1 = saturação por bases atual (análise de solo) = [(Ca2++Mg2++K+).100]/T;

T = capacidade troca catiônica [Ca2++Mg2++K++(H + Al)] em cmolc.dm-3;

PRNT = poder relativo de neutralização total do calcário a ser aplicado.

Método da neutralização do Al3+ e fornecimento de Ca2++Mg2+

t.ha-1 de calcário = Y.[Al3+-(mt.t/100)]+[X-(Ca2++Mg2+)].100/PRNT, em que:

X = exigência em cálcio e magnésio pela cultura (para cebola X = 3,0);

mt = máxima saturação por alumínio tolerada pela cultura (para cebola mt = 5,0);

Y = fator que varia com a capacidade tampão de acidez do solo podendo ser definido de acordo com a textura. Para solos arenosos (0 a 15% de argila); textura média (16 a 35); argilosos (36 a 60); muito argilosos (61 a 100), usa-se valores de Y de 0,0 a 1,0; 1,0 a 2,0; 2,0 a 3,0 e de 3,0 a 4,0, respectivamente.

Método SMP

Este método, utilizado nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, baseia-se no índice SMP para a recomendação de calagem. Para o cultivo da cebola, uma vez determinado o índice SMP na análise de solo, obtém-se a quantidade de calcário a ser aplicada para elevar o pH do solo a 6,0 mediante o uso da Tabela 3.

O calcário deve ser distribuído uniformemente a lanço por toda a área a ser cultivada e incorporado ao solo por meio de gradagem, com antecedência em relação ao plantio, suficiente para que reaja com o solo, o que só ocorre na presença de umidade, levando em torno de 60 a 90 dias. Deve-se utilizar calcário com elevado PRNT (poder relativo de neutralização total), característica que se baseia na granulometria e no teor de neutralizantes, e com uma relação adequada entre cálcio e magnésio, conforme a disponibilidade destes nutrientes no solo. O calcário calcinado, de maior custo, pode ser interessante para casos em que se tenha urgência para o plantio, visto que esse reage em cerca de 15 dias. Para o estado de São Paulo é recomendado teor mínimo de 0,9 cmolc.dm-3 de magnésio no solo para o cultivo da cebola. Assim, no caso do uso de calcário com baixos teores de magnésio, deve-se suplementar com outra fonte, como o sulfato de magnésio em quantidade suficiente para atingir 0,9 cmolc.dm-3 deste nutriente e relação Ca:Mg de aproximadamente 3:1.

Adubação de plantio

A recomendação de adubação para a cebola deve ser feita com base nos resultados da análise de solo. Geralmente, utiliza-se a mesma recomendação de adubação para os quatro métodos de cultivo: semeadura direta, por mudas, por bulbinhos e por bulbos de soqueira. Para as regiões cebolicultoras do Brasil existem recomendações de adubação adequadas e calibradas às suas condições de solo e clima e que, portanto, apresentam

 
Tabela 3. Quantidade de calcário (PRNT 100%) com base no índice SMP, visando a atingir o pH 6,0 em água, para correção da acidez dos solos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
 
 
 
algumas variações. Sendo assim, é aconselhável adotar as recomendações para o seu estado ou para aquele com condições edafoclimáticas mais próximas. Na região Sudeste, os estados de Minas Gerais e São Paulo têm recomendações de adubação próprias conforme as Tabelas 4 e 5.

As recomendações para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão na Tabela 6. Convém salientar que apenas nestes estados faz-se a recomendação da adubação com nitrogênio (N) com base na análise de solos em função do teor de matéria orgânica. Em caso de cultivos sucessivos de cebola, recomenda-se aplicar as quantidades de fósforo (P) e potássio (K) referentes à reposição.

Para o estado de Pernambuco, as recomendações de adubação com N, P e K encontram-se na Tabela 7. Na Tabela 8 estão as quantidades de adubos recomendadas para o cultivo da cebola na região do Distrito Federal. Nesta região, predominam os latossolos sob vegetação de cerrado, de baixa fertilidade natural e com altíssima capacidade de adsorção de fosfatos, o que explica as elevadas doses de P necessárias ao cultivo da cebola, quando comparadas às demais regiões.

Adubação em cobertura

Independente do sistema, é recomendável realizar uma adubação em cobertura com N e K no período de 30 a 40 dias após o plantio, sendo sugerido aplicar, respectivamente, 70% e 50% do total destes nutrientes em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em solos muito arenosos como os Neossolos Quartzarênicos, a adubação em

 
Tabela 4. Recomendação de adubação NPK para a cultura da cebola no estado de Minas Gerais.
 
 
1 Aplicar 70% do K e N em cobertura aos 40 dias após o plantio (DAP).
2 Considera-se como argilosos, de textura média e arenosos aqueles solos com teores maiores que 35, de 15 a 35, e menores que 15% de argila, respectivamente.
Aplicar 40 t.ha-1 de esterco de curral curtido.
 
 
 
1 Nos sistemas de semeadura direta, mudas e soqueira realizar a adubação com N e K em cobertura parcelada em 2 vezes (50% de cada vez) aos 25 e 50 DAP. Para formação do bulbinho, aplicar no máximo 10 kg ha-1 de N em cobertura e para formação do bulbo aplicar de 10 a 20 kg ha-1 aos 5 dias e 20 a 40 kg ha-1 de N após 25 dias do plantio do bulbinho.

Aplicar 15 t.ha-1 de esterco de curral curtido ou 5 t ha-1 de esterco de galinha curtido e 30 a 50 kg.ha-1 de S.

 
Tabela 6. Recomendação de adubação NPK para a cultura da cebola nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
 
 
1 Refere-se às classes de solos em função do teor de argila sendo A = 56 a 100; B = 41 a 55; C =26 a 40; D = 11 a 25 e E = 0 a 10% de argila.

2 Aplicar 50 % da dose de N em cobertura aos 45 dias após o plantio.

3 Doses de reposição são utilizadas no caso de cultivos sucessivos.

 
Tabela 7. Recomendação de adubação NPK para a cultura da cebola em Pernambuco.
 
 
1 Realizar a adubação em cobertura aos 30 DAP. Em solos arenosos (< 15% de argila) é recomendável parcelar o nitrogênio em duas vezes aos 25 e 50 DAP e também aplicar 50% da dose de potássio em cobertura aos 50 DAP.
 
Tabela 8. Recomendação de adubação NPK para a cultura da cebola no Distrito Federal.
 
 
1 Cobertura com N aos 40 DAP. Aplicar 2 e 4 kg.ha-1 de Boro e Zinco no plantio, respectivamente.

cobertura com N e K deve ser fracionada em duas (30 e 50 dias após o plantio - DAP) ou três vezes (15, 30 e 50 DAP) para maior aproveitamento dos adubos, conforme sugerido para o Estado de Pernambuco.

Adubação orgânica

Independente da região, a adubação orgânica é sempre recomendada. Entretanto, deve-se considerar a quantidade de N do adubo orgânico a fim de evitar desequilíbrios na cultura por excesso deste nutriente e problemas ambientais em decorrência da lixiviação de nitrato, presente em quantidades elevadas em alguns tipos de adubos orgânicos, especialmente no esterco de matrizes. A recomendação para o estado de Minas Gerais é de 40 t.ha-1 de esterco de curral curtido enquanto para São Paulo é de 15 t.ha-1 ou a terça parte de esterco de galinha, ou ainda 500 kg.ha-1 de torta de mamona. Para o estado de Pernambuco, são recomendados 30 m3.ha-1 de esterco de curral curtido ou de outro produto orgânico em quantidade equivalente, principalmente para o cultivo em solos arenosos. A aplicação deve ser feita com antecedência de pelo menos 15 dias da semeadura ou transplante das mudas. No sistema de bulbinhos, não devem ser utilizados adubos orgânicos com altos teores de nitrogênio, aplicando no máximo 10 t.ha-1 de esterco de curral curtido ou 3 t.ha-1 de esterco de galinha em solos pobres e com baixo teor de matéria orgânica.

Adubação com enxofre e micronutrientes

Para a cebola, o enxofre (S) tem função especial por ser constituinte dos compostos responsáveis pela pungência. Porém, devido à presença de S na composição do superfosfato simples e do sulfato de amônio, muitas vezes este nutriente é esquecido. Entretanto, por vezes, utilizam-se outras fontes de N e P que não contém S. Portanto, em situações de baixos teores de matéria orgânica no solo e/ou de utilização de adubos concentrados como uréia e superfosfato triplo ou de fórmulas que não contêm S, deve-se acrescentar de 30 a 50 kg.ha-1 de S juntamente com a adubação NPK, independente do sistema de plantio.

Quanto aos micronutrientes, apenas para o estado de São Paulo existem recomendações baseadas na análise de solo (Tabela 9). Nas demais regiões, recomenda-se em torno de 1 a 2 kg.ha-1 de boro e de 2 a 4 kg.ha-1 de zinco, sem considerar a análise de solo. Estes nutrientes devem ser aplicados no sulco de plantio antes do transplante das mudas ou incorporados ao solo antes do semeio. Em organossolos ou solos com elevados teores de matéria orgânica é bastante comum ocorrer deficiência de cobre, recomendando-se aplicar de 1 a 2 kg.ha-1 de cobre. Em áreas que receberam adubos orgânicos de boa qualidade por sucessivos anos, pode-se prescindir da aplicação de micronutrientes.

 
Tabela 9. Recomendação de adubação com os micronutrientes B, Zn e Cu para o plantio de cebola de acordo com a análise de solo para o estado de São Paulo.
 
 
Fonte: Raij et al. (1996).

Sistemas de Plantio Direto

O plantio direto de cebola, por alguns também chamado de cultivo mínimo ou plantio na palha, surgiu em resposta ao agravamento contínuo dos processos erosivos, tendo por base o conhecimento adquirido em grãos, seguindo três princípios básicos: rotação de culturas, cobertura e revolvimento mínimo do solo. Este sistema vem sendo implementado pelos métodos de semeadura direta e transplante de mudas.

Antes de implantar sistemas de plantio direto em áreas sob sistema convencional, recomenda-se adequar o solo mediante a redução de possíveis problemas pré-existentes, tais como a correção da acidez, a eliminação de camadas subsuperficiais compactadas, pelo uso de subsolador ou escarificador, e a redução da população de plantas espontâneas problemáticas, pelo controle químico e/ou mecânico.

Como benefícios, tem se verificado a minimização dos processos erosivos, a redução na mecanização e no uso de água e energia, a diminuição da infestação por plantas espontâneas, a atenuação dos extremos de temperatura no solo, a melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo, entre outras. Entretanto, por se tratar de tecnologia dinâmica e inovadora, exige acompanhamento constante e adaptações locais para que se obtenha sucesso na sua adoção.

Preparo de solo

No plantio direto, o preparo de solo é localizado, restrito às linhas de plantio (no método de semeadura direta) ou aos sulcos de transplante (no método de transplante de mudas) sobre a cobertura morta da cultura antecessora, chamada de planta de cobertura.

O manejo da palhada das plantas de cobertura pode ser feito pela roçada ou acamamento sem a dessecação quando em sistemas orgânicos, enquanto que em sistemas convencionais, em que se utilizam herbicidas, é comum a aplicação de dessecantes como Paraquat e Gliphosate. A dessecação por herbicida pode ser associada à roçada ou à trituração (no caso de milho após a colheita mecânica) ou o acamamento pode ocorrer naturalmente após a morte das plantas de cobertura (a exemplo de milheto ou aveia-preta).

Para o transplante de mudas, a adubação pode ser feita de duas formas: a lanço, em área total, anteriormente ao sulcamento, com incorporação parcial dos fertilizantes pelo revolvimento localizado nos sulcos de plantio; simultaneamente ao sulcamento, pela adaptação de depósitos de adubo e mecanismos de distribuição nos sulcos.

Para a semeadura direta, a disposição de fertilizantes é feita nas linhas de plantio, simultaneamente ao semeio.

Calagem e adubação

O cultivo mínimo, de uso relativamente recente no Brasil, vem utilizando as recomendações de calagem e adubação do sistema convencional sem nenhum prejuízo; ao contrário, com elevadas produtividades em virtude de menores perdas dos fertilizantes aplicados.

Com relação à calagem, previamente à implantação do sistema de cultivo mínimo, deve-se efetuar a correção da acidez do solo, por meio da incorporação de corretivo em toda a sua camada arável, aproximadamente os 20 a 30 cm superficiais. Uma vez instalado o plantio direto, deve-se realizar análises de solo pelo menos uma vez por ano. Quando necessário, isto é, quando a V% estiver abaixo de 50%, deve-se efetuar a correção do solo, distribuindo-o uniformemente em cobertura. De modo geral, o processo de acidificação no plantio direto ocorre mais lentamente e de forma concentrada principalmente na camada de 0 a 5 cm de profundidade, devido à mineralização dos restos culturais na superfície e à utilização de adubos nitrogenados. A quantidade a aplicar dependerá dos resultados da análise de solo. Quando comparado a sistemas convencionais de plantio, é comum em sistemas de plantio direto a reaplicação de calcário mais freqüentemente, porém em menores doses.

Quanto à adubação, em geral utilizam-se as mesmas recomendações do sistema convencional, seja para o transplante de mudas quanto para o semeio diretamente sobre a palhada. As doses de adubos fosfatados e potássicos recomendadas para o sistema convencional têm mantido elevada a produtividade das culturas no cultivo mínimo.

Em sistemas agrícolas onde se adotou sistemas de plantio direto, com adubação restrita às linhas de plantio, em substituição a sistemas de plantio convencional que utilizam adubação a lanço em área total previamente ao encanteiramento, tem se observado redução na quantidade de adubo aplicado no plantio em torno de 30 a 50% sem prejuízo na produtividade.

Especificamente, quanto à adubação nitrogenada, a recomendação varia conforme a planta de cobertura utilizada para a formação da palhada. Se espécies leguminosas foram utilizadas, deve-se ajustar as recomendações do sistema convencional, considerando a quantidade de N incorporada ao sistema (Tabela 10), reduzindo ou, até mesmo, dispensando a adubação no plantio, desde que este seja efetuado até 15 a 20 dias após o manejo da palhada. Por outro lado, se foram utilizadas gramíneas para a formação de palhada, deve-se aumentar a dosagem recomendada em torno de 20 a 50% conforme o volume de palhada em cobertura no solo, pois em função da alta relação C/N na sua composição este material seqüestra N do sistema para se decompor.

Sistemas orgânicos de plantio

Preparo do solo e calagem

Neste sistema, à semelhança do sistema convencional, geralmente o preparo do solo consiste de calagem quando necessária, aração, gradagem e levantamento dos canteiros.

 
Tabela 10. Plantas de cobertura e as respectivas produções médias de massa verde, massa seca, N (nitrogênio) fixado e duração do ciclo até o florescimento.
 
 
para o plantio de mudas. Como no sistema orgânico a quantidade de calcário é limitada a no máximo 2 t.ha-1, deve-se utilizar calcário dolomítico e, de preferência, três meses antes do plantio. As quantidades de calcário e adubos devem ser calculados com base na análise química do solo. Em solos de primeiro ano é bastante comum realizar fosfatagem utilizando fontes de fósforo permitidas para o cultivo orgânico que são os termofosfatos, fosfatos naturais e/ou fosfatos reativos.

É fundamental também a utilização de adubos verdes de leguminosas, em cultivo solteiro ou em consórcio com gramíneas. Para maior eficiência do sistema é desejável que as espécies de adubos verdes apresentem crescimento rápido, boa cobertura do solo e elevada produção de biomassa. Portanto, é necessário selecionar as espécies de adubos verdes mais adaptadas de acordo com as condições de solo, clima e época de plantio.

Adubação de plantio

A aplicação do adubo orgânico pode ser feita a lanço, distribuída em toda a área antes do encanteiramento, utilizando o equivalente a 10 t.ha-1 de composto orgânico em termos de massa seca. Como alternativa pode ser utilizada a mesma quantidade de composto de farelos ou de esterco de curral curtido, ou ainda a metade de esterco de aves. Além do adubo orgânico, uma vez constatado teores baixos de fósforo na análise de solo, deve-se aplicar de 100 a 200 g.m-2 de termofosfato no plantio.

O cálculo das dosagens de adubos orgânicos para o plantio pode ser feito também levando-se em consideração a análise do solo, a composição química do adubo e a exigência da cultura. Como exemplo, considere o plantio de um hectare de cebola em que pela análise de solo se recomende aplicar 120 kg de N, 180 kg de K2O e 300 kg de P2O5 e têm-se disponíveis os adubos orgânicos com suas respectivas composições químicas (% na matéria seca) e fatores de conversão (fc) apresentados na Tabela 11.

Esterco bovino necessário:

N = kg.ha-1 de N recomendada pela análise de solo x fc para N = 120 x 20 = 2.400 kg.ha-1 de esterco bovino que fornece também:

P = kg.ha-1 de esterco bovino: fc para P = 2.400/40 = 60 kg.ha-1;

K = kg.ha-1 de esterco bovino: fc para K = 2.400/20 = 120 kg.ha-1.

Para completar o K, vamos usar cinzas como adubo:

K = (kg.ha-1 de K recomendado - kg.ha-1 de K fornecido pelo esterco bovino) x fc para K = (180 - 120) x 10 = 600 kg.ha-1 de cinzas que fornece também:

P = kg.ha-1 de cinzas: fc para P = 600/40 = 15 kg.ha-1.

Para completar o P, vamos usar o fosfato natural:

P = (kg.ha-1 de P recomendado - kg.ha-1 de P fornecido pelo esterco bovino - kg.ha-1 de P fornecido pelas cinzas) x fc para P = (300 – 60 -15) x 3,3 = 742 kg.ha-1 de fosfato natural.

Portanto, para atender as recomendações indicadas pela análise de solo neste exemplo, para o plantio de um hectare de cebola devemos aplicar uma mistura contendo 2.400 kg de esterco bovino, 600 kg de cinzas e 742 kg de fosfato natural.

Estes cálculos levam em consideração apenas a constituição química dos adubos, sendo que os aspectos físicos e biológicos do solo, muito importantes nos sistemas de produção orgânicos, não são considerados. Portanto, as quantidades recomendadas no exemplo acima podem ser aumentadas considerando as características climáticas e de solo de cada região.

Adubação em cobertura

Trinta dias após o transplante, faz-se uma adubação em cobertura com 5 t.ha-1 de composto orgânico (massa seca) ou aplicação de 0,4 l.m-2 de extrato de composto (composto orgânico:água, relação em volume de 1:3) ou de biofertilizantes líquidos.

 
 
 
 
Avaliação do estado nutricional

O diagnóstico do estado nutricional das plantas é realizado por meio da diagnose foliar (análise de tecidos vegetais) e diagnose visual (observação de sintomas de deficiência ou excesso). A análise química foliar é importante para o ajuste fino da adubação, visando a maximizar a produtividade e a aumentar a eficiência no uso dos fertilizantes.

Para a cebola, recomenda-se amostrar a folha mais alta por ocasião do meio do ciclo da cultura em número de 40 folhas por talhão homogêneo. A diagnose visual, por sua vez, é também útil para diagnosticar desequilíbrios nutricionais. Entretanto, quando os sintomas se manifestam, a produção já pode estar prejudicada. Portanto, em qualquer cultivo, o ideal é que não ocorram sintomas visuais de desequilíbrios e, se ocorrerem, que sejam detectados e corrigidos o mais rápido possível.

Os sintomas de desequilíbrios nutricionais mais comumente observados na cultura da cebola são os seguintes:

Nitrogênio - sua deficiência causa redução do crescimento das plantas e folhas com coloração verde claro, progredindo para o amarelo nas folhas mais velhas, podendo chegar a uma cor verde-amarelo na planta inteira em caso de deficiência prolongada. Ocorre também redução do tamanho dos bulbos. Convém lembrar que temperaturas baixas, excesso de água ou seca prolongada podem causar sintomas semelhantes.

O excesso de nitrogênio pode ocasionar diversos problemas tais como alongamento do ciclo, plantas com “pescoço grosso”, muito viçosas, com excesso de folhas e que em geral não produzem bulbos de boa qualidade. Além disso, aumenta a suscetibilidade a doenças foliares e diminui a conservação pós-colheita dos bulbos.

Potássio - sob deficiência deste nutriente, as folhas mais velhas tornam-se cloróticas e secas nas pontas; ocorre diminuição do tamanho dos bulbos. O potássio aumenta a tolerância a doenças e propicia melhor formação do bulbo e maior conservação pós-colheita, sendo essencial o balanço potássio/nitrogênio para o bom desenvolvimento e qualidade da cebola. Não se conhece sintomas visíveis de toxidez de K, entretanto seu excesso induz deficiências de magnésio e cálcio.

Fósforo - sua carência resulta em menor crescimento das plantas, com clorose das folhas mais velhas que se secam em seguida; as folhas mais jovens tornam-se de cor verde escura, finas e menores; ocorre também redução do tamanho dos bulbos. O excesso de P pode causar deficiências induzidas de micronutrientes, especialmente de zinco e cobre.

Cálcio - os sintomas de deficiência manifestam-se inicialmente nas folhas mais novas que tombam sem se quebrarem, mesmo estando aparentemente sadias. Após alguns dias, estas folhas começam a secar do ápice para a base, adquirindo coloração palha; posteriormente, são acometidas as folhas intermediárias e, por último, as mais velhas, que são igualmente afetadas em caso de deficiência prolongada de cálcio. Toxicidade deste nutriente ainda não foi relatada; entretanto, sabe-se que o excesso ocasiona desequilíbrios com outros nutrientes, especialmente o magnésio e o potássio.

Magnésio - sua deficiência ocasiona secamento da ponta das folhas mais velhas e redução do tamanho dos bulbos.

Enxofre - folhas mais novas tornam-se cloróticas e algumas vezes deformadas em condições de deficiência deste nutriente. O enxofre influencia o sabor e o aroma da cebola, de tal forma que existe relação direta entre o teor de enxofre do solo e a pungência do bulbo. Mesmo as cultivares de cebola suaves tornam-se mais pungentes com o aumento da disponibilidade de enxofre no solo. A adequada nutrição em enxofre é também importante para a maior conservação pós-colheita dos bulbos.

Micronutrientes - em condições normais, nos solos brasileiros apenas o boro e o zinco e, em alguns casos, o cobre têm se mostrado deficientes para a cultura da cebola. Ferro, manganês, molibdênio e cloro geralmente não representam problemas.

Boro - plantas deficientes apresentam crescimento reduzido, folhas retorcidas, espessas, quebradiças e com partes secas a partir do ápice; as escamas apresentam-se desidratadas e surgem necroses naquelas da região meristemática; aumenta a incidência de podridões durante o armazenamento dos bulbos diminuindo a conservação pós-colheita.

Zinco - a carência provoca redução no crescimento das plantas, estrias nas folhas, e algumas vezes, encurvamento das mesmas com clorose. Podem ocorrer ainda manchas cloróticas nas folhas mais novas e manchas irregulares amareladas nas folhas mais velhas.

Cobre - sob deficiência, as plantas apresentam-se fracas e sem firmeza e as folhas com clorose esbranquiçada, além de retorcidas e com necrose nas pontas.

 
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