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 A Embrapa Hortaliças
 
       
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  Plantio Direto
Nuno Rodrigo Madeira
Francisco Vilela Resende
Ronessa Bartolomeu de Souza
 

O plantio direto de cebola, por alguns também chamado de cultivo mínimo ou plantio na palha, surgiu em resposta ao agravamento contínuo dos processos erosivos, tendo por base o conhecimento adquirido em grãos, seguindo três princípios básicos: rotação de culturas, cobertura e revolvimento mínimo do solo. Este sistema vem sendo implementado pelos métodos de semeadura direta e transplante de mudas.

Antes de implantar sistemas de plantio direto em áreas sob sistema convencional, recomenda-se adequar o solo mediante a redução de possíveis problemas pré-existentes, tais como a correção da acidez, a eliminação de camadas subsuperficiais compactadas, pelo uso de subsolador ou escarificador, e a redução da população de plantas espontâneas problemáticas, pelo controle químico e/ou mecânico.

Como benefícios, tem se verificado a minimização dos processos erosivos, a redução na mecanização e no uso de água e energia, a diminuição da infestação por plantas espontâneas, a atenuação dos extremos de temperatura no solo, a melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo, entre outras. Entretanto, por se tratar de tecnologia dinâmica e inovadora, exige acompanhamento constante e adaptações locais para que se obtenha sucesso na sua adoção.

Preparo de solo

No plantio direto, o preparo de solo é localizado, restrito às linhas de plantio (no método de semeadura direta) ou aos sulcos de transplante (no método de transplante de mudas) sobre a cobertura morta da cultura antecessora, chamada de planta de cobertura.

O manejo da palhada das plantas de cobertura pode ser feito pela roçada ou acamamento sem a dessecação quando em sistemas orgânicos, enquanto que em sistemas convencionais, em que se utilizam herbicidas, é comum a aplicação de dessecantes como Paraquat e Gliphosate. A dessecação por herbicida pode ser associada à roçada ou à trituração (no caso de milho após a colheita mecânica) ou o acamamento pode ocorrer naturalmente após a morte das plantas de cobertura (a exemplo de milheto ou aveia-preta).

Para o transplante de mudas, a adubação pode ser feita de duas formas: a lanço, em área total, anteriormente ao sulcamento, com incorporação parcial dos fertilizantes pelo revolvimento localizado nos sulcos de plantio; simultaneamente ao sulcamento, pela adaptação de depósitos de adubo e mecanismos de distribuição nos sulcos.

Para a semeadura direta, a disposição de fertilizantes é feita nas linhas de plantio, simultaneamente ao semeio.

Calagem e adubação

O cultivo mínimo, de uso relativamente recente no Brasil, vem utilizando as recomendações de calagem e adubação do sistema convencional sem nenhum prejuízo; ao contrário, com elevadas produtividades em virtude de menores perdas dos fertilizantes aplicados.

Com relação à calagem, previamente à implantação do sistema de cultivo mínimo, deve-se efetuar a correção da acidez do solo, por meio da incorporação de corretivo em toda a sua camada arável, aproximadamente os 20 a 30 cm superficiais. Uma vez instalado o plantio direto, deve-se realizar análises de solo pelo menos uma vez por ano. Quando necessário, isto é, quando a V% estiver abaixo de 50%, deve-se efetuar a correção do solo, distribuindo-o uniformemente em cobertura. De modo geral, o processo de acidificação no plantio direto ocorre mais lentamente e de forma concentrada principalmente na camada de 0 a 5 cm de profundidade, devido à mineralização dos restos culturais na superfície e à utilização de adubos nitrogenados. A quantidade a aplicar dependerá dos resultados da análise de solo. Quando comparado a sistemas convencionais de plantio, é comum em sistemas de plantio direto a reaplicação de calcário mais freqüentemente, porém em menores doses.

Quanto à adubação, em geral utilizam-se as mesmas recomendações do sistema convencional, seja para o transplante de mudas quanto para o semeio diretamente sobre a palhada. As doses de adubos fosfatados e potássicos recomendadas para o sistema convencional têm mantido elevada a produtividade das culturas no cultivo mínimo.

Em sistemas agrícolas onde se adotou sistemas de plantio direto, com adubação restrita às linhas de plantio, em substituição a sistemas de plantio convencional que utilizam adubação a lanço em área total previamente ao encanteiramento, tem se observado redução na quantidade de adubo aplicado no plantio em torno de 30 a 50% sem prejuízo na produtividade.

Especificamente, quanto à adubação nitrogenada, a recomendação varia conforme a planta de cobertura utilizada para a formação da palhada. Se espécies leguminosas foram utilizadas, deve-se ajustar as recomendações do sistema convencional, considerando a quantidade de N incorporada ao sistema (Tabela 10), reduzindo ou, até mesmo, dispensando a adubação no plantio, desde que este seja efetuado até 15 a 20 dias após o manejo da palhada. Por outro lado, se foram utilizadas gramíneas para a formação de palhada, deve-se aumentar a dosagem recomendada em torno de 20 a 50% conforme o volume de palhada em cobertura no solo, pois em função da alta relação C/N na sua composição este material seqüestra N do sistema para se decompor.

Adubação de plantio

A aplicação do adubo orgânico pode ser feita a lanço, distribuída em toda a área antes do encanteiramento, utilizando o equivalente a 10 t.ha-1 de composto orgânico em termos de massa seca. Como alternativa pode ser utilizada a mesma quantidade de composto de farelos ou de esterco de curral curtido, ou ainda a metade de esterco de aves. Além do adubo orgânico, uma vez constatado teores baixos de fósforo na análise de solo, deve-se aplicar de 100 a 200 g.m-2 de termofosfato no plantio.

O cálculo das dosagens de adubos orgânicos para o plantio pode ser feito também levando-se em consideração a análise do solo, a composição química do adubo e a exigência da cultura. Como exemplo, considere o plantio de um hectare de cebola em que pela análise de solo se recomende aplicar 120 kg de N, 180 kg de K2O e 300 kg de P2O5 e têm-se disponíveis os adubos orgânicos com suas respectivas composições químicas (% na matéria seca) e fatores de conversão (fc) apresentados na Tabela 11.

Esterco bovino necessário:

N = kg.ha-1 de N recomendada pela análise de solo x fc para N = 120 x 20 = 2.400 kg.ha-1 de esterco bovino que fornece também:

P = kg.ha-1 de esterco bovino: fc para P = 2.400/40 = 60 kg.ha-1;

K = kg.ha-1 de esterco bovino: fc para K = 2.400/20 = 120 kg.ha-1.

Para completar o K, vamos usar cinzas como adubo:

K = (kg.ha-1 de K recomendado - kg.ha-1 de K fornecido pelo esterco bovino) x fc para K = (180 - 120) x 10 = 600 kg.ha-1 de cinzas que fornece também:

P = kg.ha-1 de cinzas: fc para P = 600/40 = 15 kg.ha-1.

Para completar o P, vamos usar o fosfato natural:

P = (kg.ha-1 de P recomendado - kg.ha-1 de P fornecido pelo esterco bovino - kg.ha-1 de P fornecido pelas cinzas) x fc para P = (300 – 60 -15) x 3,3 = 742 kg.ha-1 de fosfato natural.

Portanto, para atender as recomendações indicadas pela análise de solo neste exemplo, para o plantio de um hectare de cebola devemos aplicar uma mistura contendo 2.400 kg de esterco bovino, 600 kg de cinzas e 742 kg de fosfato natural.

Estes cálculos levam em consideração apenas a constituição química dos adubos, sendo que os aspectos físicos e biológicos do solo, muito importantes nos sistemas de produção orgânicos, não são considerados. Portanto, as quantidades recomendadas no exemplo acima podem ser aumentadas considerando as características climáticas e de solo de cada região.

Adubação em cobertura

Trinta dias após o transplante, faz-se uma adubação em cobertura com 5 t.ha-1 de composto orgânico (massa seca) ou aplicação de 0,4 l.m-2 de extrato de composto (composto orgânico: água, relação em volume de 1:3) ou de biofertilizantes líquidos.

 
Tabela 11. Adubos orgânicos, composições químicas (% na matéria seca) e fatores de conversão (fc).
 
 
 
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