| O manejo criterioso da adubação
consiste em otimizar a produtividade,
satisfazendo as necessidades da
cultura pela adoção
de técnicas que propiciem
maior eficiência no uso
dos adubos, da água, da
mão de obra e dos demais
insumos, minimizando as perdas
de nutrientes por lixiviação,
erosão e volatilização.
A aplicação racional
de fertilizantes exige o conhecimento
da disponibilidade de nutrientes
no solo, das exigências
nutricionais da cultura e da avaliação
do estado nutricional das plantas.
A disponibilidade de nutrientes
é avaliada por meio da
análise química
do solo, e o estado nutricional
das plantas por meio da diagnose
foliar (análise de tecidos
vegetais) e diagnose visual
(observação de
sintomas de carência ou
excesso).
As recomendações
de calagem e adubação
para o cultivo da cebola são
praticamente as mesmas para
os métodos de plantio
por semeadura direta, por mudas,
por bulbinhos ou por bulbos
de soqueira, variando apenas
com o sistema de cultivo. O
sistema de plantio direto ou
cultivo mínimo, de uso
relativamente recente no Brasil,
vem utilizando as recomendações
de adubação e
calagem do sistema convencional
sem nenhum prejuízo.
Sistema convencional
Preparo do solo e calagem
A cebola desenvolve-se melhor
em solos profundos, ricos em
matéria orgânica,
com boa retenção
de umidade, bem drenados e “leves”.
Em geral, os solos de textura
média, quando bem drenados,
são os mais indicados
por possuírem boas condições
físicas e maior eficiência
produtiva. Entretanto, é
possível cultivar cebola
em solos argilosos, como por
exemplo os Latossolos Vermelhos
provenientes de rochas basálticas,
comuns no estado de São
Paulo e no Sul do Brasil, desde
que apresentem as características
descritas acima. Solos muito
arenosos apresentam o inconveniente
da baixa retenção
de umidade e possibilidade de
lixiviação de
adubos, que podem contaminar
águas subterrâneas
causando problemas ambientais.
Solos muito argilosos e “pesados”
prejudicam o desenvolvimento
dos bulbos e podem causar deformações
e baixa qualidade comercial.
Para o preparo do solo neste
sistema, geralmente são
feitas uma a duas arações
e duas gradagens. Quando o semeio
é realizado diretamente
no campo, o solo deve estar
obrigatoriamente bem destorroado
e aplainado, de modo a obter-se
uniformidade na distribuição
das pequenas e irregulares sementes
de cebola. No caso de transplante
de mudas, o destorroamento não
precisa ser tão intenso,
de forma que, dependendo das
características do solo,
muitas vezes são suficientes
apenas uma aração
visando atingir a profundidade
de pelo menos 20 cm seguida
por uma gradagem. Para o plantio
de bulbinhos ou soqueira seguem-se
as mesmas recomendações
de preparo do solo para o sistema
de mudas.
Ainda sobre o plantio de mudas,
imediatamente após a
gradagem faz-se o levantamento
dos canteiros. Entretanto, em
solos bem drenados, sem problemas
de compactação,
pode-se prescindir desta operação
fazendo o transplante das mudas
no nível do solo.
A cebola é relativamente
sensível à acidez
dos solos, desenvolvendo-se
melhor em condições
de pH (em água) de 6,0
a 6,5 e de, no máximo,
5% de saturação
por Al3+. Dessa forma, a calagem
é fundamental para o
cultivo da cebola nos solos
brasileiros, em sua maioria
ácidos e com teores elevados
de alumínio trocável.
Adubação
de plantio
A recomendação
de adubação para
a cebola deve ser feita com
base nos resultados da análise
de solo. Geralmente, utiliza-se
a mesma recomendação
de adubação para
os quatro métodos de
cultivo: semeadura direta, por
mudas, por bulbinhos e por bulbos
de soqueira. Para as regiões
cebolicultoras do Brasil existem
recomendações
de adubação adequadas
e calibradas às suas
condições de solo
e clima e que, portanto, apresentam
algumas variações.
Sendo assim, é aconselhável
adotar as recomendações
para o seu estado ou para aquele
com condições
edafoclimáticas mais
próximas.
Adubação
em cobertura
Independente do sistema, é
recomendável realizar
uma adubação em
cobertura com N e K no período
de 30 a 40 dias após
o plantio, sendo sugerido aplicar,
respectivamente, 70% e 50% do
total destes nutrientes em Minas
Gerais e no Rio Grande do Sul
e Santa Catarina. Em solos muito
arenosos como os Neossolos Quartzarênicos,
a adubação em
cobertura com N e K deve ser
fracionada em duas (30 e 50
dias após o plantio -
DAP) ou três vezes (15,
30 e 50 DAP) para maior aproveitamento
dos adubos, conforme sugerido
para o Estado de Pernambuco.
Adubação
orgânica
Independente da região,
a adubação orgânica
é sempre recomendada.
Entretanto, deve-se considerar
a quantidade de N do adubo orgânico
a fim de evitar desequilíbrios
na cultura por excesso deste
nutriente e problemas ambientais
em decorrência da lixiviação
de nitrato, presente em quantidades
elevadas em alguns tipos de
adubos orgânicos, especialmente
no esterco de matrizes. A aplicação
deve ser feita com antecedência
de pelo menos 15 dias da semeadura
ou transplante das mudas. No
sistema de bulbinhos, não
devem ser utilizados adubos
orgânicos com altos teores
de nitrogênio, aplicando
no máximo 10 t.ha-1 de
esterco de curral curtido ou
3 t.ha-1 de esterco de galinha
em solos pobres e com baixo
teor de matéria orgânica.
Adubação
com enxofre e micronutrientes
Para a cebola, o enxofre (S)
tem função especial
por ser constituinte dos compostos
responsáveis pela pungência.
Porém, devido à
presença de S na composição
do superfosfato simples e do
sulfato de amônio, muitas
vezes este nutriente é
esquecido. Entretanto, por vezes,
utilizam-se outras fontes de
N e P que não contém
S. Portanto, em situações
de baixos teores de matéria
orgânica no solo e/ou
de utilização
de adubos concentrados como
uréia e superfosfato
triplo ou de fórmulas
que não contêm
S, deve-se acrescentar de 30
a 50 kg.ha-1 de S juntamente
com a adubação
NPK, independente do sistema
de plantio.
Em geral, recomenda-se em torno
de 1 a 2 kg.ha-1 de boro e de
2 a 4 kg.ha-1 de zinco, sem
considerar a análise
de solo. Estes nutrientes devem
ser aplicados no sulco de plantio
antes do transplante das mudas
ou incorporados ao solo antes
do semeio. Em organossolos ou
solos com elevados teores de
matéria orgânica
é bastante comum ocorrer
deficiência de cobre,
recomendando-se aplicar de 1
a 2 kg.ha-1 de cobre. Em áreas
que receberam adubos orgânicos
de boa qualidade por sucessivos
anos, pode-se prescindir da
aplicação de micronutrientes. |