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  Doenças
Ailton Reis
Gilmar Paulo Henz
Carlos Alberto Lopes
 

A cebola é atacada por várias doenças de etiologia fúngica, bacteriana, viral e nematológica. Algumas doenças ocorrem no campo, outras são mais importantes em pós-colheita e ainda há aquelas que ocorrem tanto no campo como durante o transporte, armazenamento e comercialização. As doenças fúngicas são as de maior número e geralmente mais destrutivas, entretanto, podem ser mais fáceis de controlar. Estas doenças podem provocar desde danos leves até perdas muito grandes, dependendo do patógeno envolvido, do nível de resistência da planta, das condições ambientais, do tipo de manejo dado à cultura e mesmo da eficácia das medidas de controle empregadas.

Doenças causadas por fungos

Mancha púrpura

É uma das principais doenças da cebola em locais de clima quente (25-30ºC) e úmido. É causada, normalmente, por Alternaria porri (Ellis) Cif., mas também pode ser causada por Stemphylium vesicarium. Os dois fungos também infectam alho, cebolinha e alho porró. O principal sintoma da doença se manifesta nas folhas que inicialmente apresentam pequenas pontuações brancas e de formato irregular. Lavouras muito atacadas podem sofrer drástica redução do tamanho dos bulbos e, consequentemente, redução na produção. Quando as lesões são localizadas no pendão floral, estas podem provocar sua quebra.

Antracnose (mal de sete voltas e antracnose da folha)

Esta doença pode ser bastante destrutiva em cultivos de verão sob irrigação por aspersão ou em época chuvosa. É causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides f. sp. cepae. Em plantas adultas no campo pode haver formação de manchas alongadas, deprimidas e de coloração parda nas folhas; lesões no bulbo e/ou enrolamento das folhas e formação de bulbos charutos em vez de bulbos normais. Na fase de armazenamento pode haver podridão de bulbos.

Antracnose da cebola branca

Esta doença tem pouca importância no Brasil porque só ocorre em bulbos de coloração branca e a maioria das cultivares plantadas aqui são de bulbos coloridos (resistentes). É causada por Colletotrichum circinans (= C. dematium f. sp. circinans). Ocorre praticamente só nas escamas mais externas dos bulbos, sob a forma de pequenos estromas subcuticulares verde-escuros, que tornam-se pretos com o passar do tempo.

Míldio

Esta doença é muito importante em regiões com temperaturas mais amenas e alta umidade do ar. É causada pelo oomiceto Peronospora destructor. Temperaturas amenas (entre 12 e 21ºC) e alta umidade relativa (acima de 80%) favorecem a ocorrência de epidemias da doença. Os sintomas iniciam-se com uma descoloração nas folhas que evolui para uma mancha alongada no sentido do comprimento da folha. Com o avanço da doença, hastes florais e folhas podem quebrar e/ou secar.

Ferrugem

Esta doença é mais comum no alho, mas pode causar algum dano à cebola em condições de temperaturas amenas e alta umidade relativa. É causada pelo fungo Puccinia alli. Os sintomas ocorrem nas folhas e iniciam-se com pequenas pústulas elípticas, a princípio recobertas pela cutícula. As urédias (pústulas) são amareladas e salientes na folha. Nesta fase, a planta apresenta-se com folhas secas e depalperada e a produção já está comprometida, devido ao pequeno tamanho dos bulbos produzidos.

Queima das pontas

É doença bastante importante para a cebola no Brasil, apesar de sua etiologia ser complexa. O agente causal da doença pode ser o fungo Botrytis squamosa, apesar de a mesma poder ser causada por outros patógenos e por fatores ambientais (seca, excesso de umidade, oxidação por ozônio, infestação por tripes etc). Baixa temperatura e alta umidade relativa, principalmente a presença de nevoeiro, favorecem a doença. Os sintomas iniciam com pequenas manchas esbranquiçadas no limbo foliar, com posterior morte progressiva dos ponteiros.

Raízes rosadas

Esta doença ocorre em praticamente todas as regiões produtoras de cebola do país. Pode ser bastante prejudicial à lavoura, se as condições ambientais lhe forem favoráveis. O agente causal da doença é o fungo de solo Pyrenochaeta terrestris. Os sintomas podem ser observados nas plantas em qualquer estádio de desenvolvimento, mas ficam mais aparentes na época de maturação. As raízes inicialmente apresentam coloração rosada, com o tempo vão mudando para púrpura, parda e preta, dependendo da severidade da doença e da época de infecção.

Podridão branca

Esta doença é mais importante em locais com temperaturas mais amenas e alta umidade do solo. É causada por Sclerotium cepivorum, um fungo de solo que produz estruturas de resistência (escleródios) que permite sua sobrevivência por longos períodos no solo. Em lavouras atacadas, inicialmente se observa amarelecimento e morte de plantas. As folhas secam e, quando puxadas, se desprendem do bulbo apodrecido.

Podridão basal

É doença comum da cebola, tonando-se mais problemática em pós-colheita. A doença é causada por Fusarium oxysporum f. sp. cepae, fungo de solo com grande capacidade de sobrevivência neste ambiente e passível de ser transmitido pela semente. Alta umidade e temperaturas de 26 a 28ºC são favoráveis à doença. Na fase de sementeira o patógeno pode causar tombamento de mudas. No campo, os sintomas manifestam-se por meio de murcha e morte descendente de folhas. Na fase de colheita ou posteriormente, já no armazenamento, ocorre podridão na base do bulbo, que degenera o sistema radicular, tornando-se depois seca e com endurecimento dos tecidos afetados.

Queima e podridão de Phytophthora

É doença pouco comum na cebola, ocorrendo principalmente em condições de excesso de umidade, mas sendo muito destrutiva nestas condições. É causada por Phytophthora sp. (provavelmente há mais de uma espécie envolvida). Os sintomas se caracterizam por queimas foliares que, geralmente, iniciam-se na base das folhas e, à medida que estas vão crescendo, deslocam-se para o centro e a ponta das mesmas. Geralmente há estrangulamento e morte da folha afetada. Também pode haver apodrecimento de bulbos.

Controle de doenças causadas por fungos

O controle das doenças fúngicas da cebola deve ser feito de forma integrada, isto é, pela adoção de várias medidas preventivas que visam a reduzir a intensidade do seu ataque, como por exemplo:

* usar semente de boa qualidade, adquirida de firmas idôneas;

* fazer rotação de culturas. Nunca plantar cebola no mesmo campo por mais de dois anos consecutivos;

* como muitas das doenças da cebola são comuns ao alho, não plantar uma das culturas em sucessão a outra;

· irrigar de forma correta, com água de boa qualidade, não aplicando excesso de água ou provocando empoçamentos;

* quando possível, plantar variedades resistentes às doenças;

* pulverizar a cultura com fungicidas recomendados e registrados, quando as condições climáticas forem favoráveis à doença, principalmente sob alta umidade relativa do ar.

Doenças causadas por bactérias

Podridão-mole

Esta doença é mais comum na fase de armazenamento dos bulbos, mas pode ocorrer ainda no campo depois de chuvas pesadas. É causada pela bactéria Pectobacterium carotovorum sbsp. Carotovorum. As escamas internas atacadas inicialmente apresentam manchas aquosas e amarelas pálidas a marrom claro, tornando-se moles com o progresso da doença. Todo o interior do bulbo pode apodrecer e um líquido viscoso e fétido pode sair pela região do pescoço. Nos ataques a campo, quando a planta ainda está vegetando, ocorre murcha e clareamento das folhas ou de toda a planta.

Podridão bacteriana da escama

É doença de importância relativa para a cebola, ocorrendo com maior freqüência em bulbos já maduros ou armazenados. É causada pela bactéria não fluorescente Burkholderia cepacia (= Pseudomonas cepacia). No início da doença os sintomas de podridão podem não estarem aparentes, exceto por um amolecimento e amarelecimento do pescoço da planta.

Controle de doenças causadas por bactérias

Uma vez instaladas, as doenças bacterianas são difíceis ou impossíveis de serem controladas. Logo, as medidas de manejo da doença devem ser de caráter preventivo, como por exemplo:

* usar bulbos e sementes de boa procedência;

* evitar excesso de umidade no solo;

* fazer rotação com espécies de outras famílias botânicas;

* controlar insetos;

* evitar injúrias nas plantas durante os tratos culturais;

* colher os bulbos somente após a sua completa maturação;

* armazenar os bulbos precedido de descarte daqueles com infecção aparente, preferencialmente sob baixas temperaturas, com baixa umidade do ar, e se viável, com ventilação.

Doenças causadas por vírus

Mosaico em faixas ou nanismo amarelo (OYDV)

É a principal virose da cebola no Brasil e aparentemente uma das principais no mundo, podendo reduzir a produção e a qualidade de bulbos das plantas afetadas. É causada pelo vírus do nanismo amarelo da cebola (OYDV), um vírus que também é capaz de infectar o alho. O vírus pode ser transmitido por várias espécies de pulgões, de maneira não persistente. Os sintomas iniciam-se com estrias cloróticas e amareladas na base das folhas mais velhas. Em seguida, todas as folhas que surgem apresentam desde os sintomas de estrias isoladas até o completo amarelecimento, às vezes associados com enrolamento, enrugamento e queda das mesmas. Os bulbos produzidos pelas plantas atacadas apresentam tamanho reduzido, comprometendo a produção.

Sapeca

Os sintomas da doença iniciam-se com manchas necróticas em forma de olho nas folhas e hastes florais, podendo causar a morte de todas as flores. Com o tempo, ocorre formação de anéis e queima (seca) das folhas. Algumas vezes, de forma bastante simétrica, metade da folha apresenta coloração branca e a outra metade, coloração verde normal.

Controle de doenças causadas por vírus

* Plantar bulbos oriundos de plantas sadias;

* plantar cultivares tolerantes como as do tipo Granex, Roxa IPA 3, Roxa do Barreiro, Mutuali IPA 8 e Texas Grano 502 PRR, no caso de OYDV;

* evitar o plantio de cebolinha (Allium fistulosum L.) nas proximidades de cultivos de cebola, pois esta planta pode ser fonte de OYDV;

* fazer rotação de culturas com espécies de outras famílias botânicas, para quebrar o ciclo da virose;

* eliminar plantas hospedeiras de pulgão e tripes próximas aos plantios de cebola;

* controlar tripes, no caso da sapeca.

Doenças causadas por nematóides

Galhas das raízes

Esta doença é importante em solos leves e quando a população do nematóide no solo é alta e a temperatura também. É causada por Meloidogyne spp. (principalmente M. incognita e M. javanica) que representa um grupo de nematóides muito polífago, capaz de atacar grande gama de hospedeiros. No Brasil a doença não tem sido muito comum. Campos afetados apresentam reboleiras de plantas com crescimento lento. As plantas afetadas apresentam nanismo e sintomas de deficiência de nutrientes minerais. As raízes apresentam galhas e muitas raízes secundárias. A planta tem dificuldade de absorver água e nutrientes do solo e os bulbos produzidos são pequenos em relação aos de plantas normais.

Nematóide do caule e do bulbo

Esta doença é importante em cebola e também no alho, sendo mais comum no Brasil quando se planta cebola em sucessão ao alho. É causada por Ditylenchus dipsaci Filipjev. Mudas atacadas desenvolvem-se lentamente, apresentam clorose e retorcimento das folhas. O pseudocaule da planta se torna engrossado e de consistência esponjosa. Nesta fase, a porção basal rompe-se e tem início uma podridão, seguindo-se a morte da planta, que manifesta-se em reboleiras. Na fase de campo, quando as mudas sadias são transplantadas para áreas infestadas com o nematóide, os sintomas começam a aparecer em três semanas, caracterizados por enfezamento, amarelecimento, torção e rachadura das folhas. As folhas vão tornando-se flácidas e tombando aos poucos até completo tombamento da parte aérea. O pseudocaule engrossa consideravelmente e apresenta consistência esponjosa. Gradualmente, as escamas externas do bulbo rompem-se, iniciando uma podridão. Em fases mais adiantadas, quando se tenta arrancar uma planta infectada, o prato com as raízes desprende-se e permanece no solo. Bulbos infectados são mais leves e estão mais sujeitos ao apodrecimento, mesmo se armazenados em condições ideais.

Controle de doenças causadas por nematóides

· Evitar o plantio de cebola em áreas que já haviam sido ocupadas por alho;

· usar bulbos livres de nematóides (principalmente na produção de sementes);

· usar sementes livres de nematóides, no caso de Ditylenchus;

· fazer rotação com culturas que não sejam hospedeiras das espécies de nematóides envolvidas;

· destruir restos de cultura e de plantas voluntárias;

· a inundação do solo durante algumas semanas é eficiente e pode ser usada. Quando possível, fazer rotação com arroz irrigado;

· nematicidas podem ser eficientes em alguns casos, mas estes são geralmente muito tóxicos e podem causar contaminação de mananciais;

· em situações extremas e quando possível, proceder a erradicação com fumigantes.

Doenças de pós-colheita

Algumas das doenças pós-colheita são facilmente reconhecíveis pelos sintomas, mas recomenda-se a consulta de um agrônomo especializado para a identificação do fungo ou bactéria envolvida. A seguir estão relacionadas algumas das doenças mais relevantes na fase de pós-colheita, que também podem ocorrer na fase de cultivo.

Mofo preto (Aspergillus niger)

O principal sintoma é a presença de partes escuras, que são o micélio e os esporos do fungo, nas partes externas dos bulbos, ou em seu interior, entre as escamas. À medida que a doença progride, o fungo pode afetar todo o bulbo, com todas as escamas infectadas e o bulbo torna-se murcho e enrugado. O fungo depende basicamente de ferimentos para penetrar na hospedeira.

Mofo verde (Penicillium spp.)

Várias espécies de Penicillium causam manchas nas escamas externas dos bulbos de cebola. A princípio, estas manchas são aquosas e tornam-se amarelo-escuro ou avermelhadas, e depois quando o fungo se desenvolve é possível observar mofo verde ou azulado.

Antracnose da cebola branca (Colletotrichum circinans)

O sintoma principal são manchas escuras nas camadas externas dos bulbos e do “pescoço”, que alcançam até 2,5 cm de diâmetro, em geral com círculos concêntricos. A doença compromete a aparência dos bulbos, com uma espécie de ‘fuligem’ escura. As cultivares roxas são mais resistentes quando comparadas com aquelas de bulbos amarelos ou brancos.

Podridão basal (Fusarium oxysporum f. sp. cepae)

A podridão basal pode ou não estar associada com a incidência da raiz-rosada, causada pelo fungo Pyrenochaeta terrestris. A base do bulbo fica apodrecida, com uma massa branca de micélio do fungo, e o bulbo inteiro pode ficar com aspecto mumificado.

Podridão aquosa (Botrytis allii)

A podridão aquosa ocorre principalmente no pseudocaule, e passa a infectar também as escamas e o restante do bulbo. A doença em geral ocorre somente na fase de pós-colheita e raramente no campo durante a fase vegetativa. As escamas afetadas pelo fungo ficam amolecidas com aparência escurecida.

Podridão-mole (Pectobacterium carotovorum subsp. carotovora)

Esta bactéria causa apodrecimento de todo o bulbo, inclusive as escamas internas. A doença pode ser muito agressiva em temperaturas acima de 25ºC, e pode atacar durante o armazenamento e a comercialização, confundindo-se com outras podridões bacterianas.

Podridão da escama (Burkholderia cepacia)

A bactéria ataca o pseudocaule e as escamas mais externas dos bulbos da cebola, que apresentam podridão típica, de cor amarelada, viscosa e escorregadia, com cheiro de fermentação (avinagrado).

Podridão da escama (Pseudomonas viridiflava)

A bactéria causa manchas escuras nas camadas externas, e estas permanecem firmes, em contraste com as demais doenças bacterianas, associadas a podridões. A podridão é firme e restrita a áreas circulares, e quando os bulbos doentes são cortados e expostos à luz ultravioleta apresentam fluorescência.

Controle de doenças de pós-colheita

Além do efeito direto das condições ambientais e dos tratos culturais durante o período vegetativo, a incidência de doenças de pós-colheita em bulbos de cebola está relacionada ao sistema de cura, armazenamento e comercialização. O processo de cura é muito eficiente como medida preventiva de controle de doenças pós-colheita, porque a desidratação das camadas externas impede a penetração de fungos e bactérias e ao mesmo tempo evita a perda de água dos bulbos. Quando mantida em condição ideal, em temperatura em torno de 0ºC e 65-75% de umidade relativa, a cebola pode ser conservada por até nove meses. Nesta condição, além de minimizar a perda de água e retardar os processos metabólicos, o crescimento e o desenvolvimento de patógenos também são drasticamente reduzidos. Os patógenos podem estar presentes nos bulbos, nas embalagens ou no ambiente de armazenamento, mas não chegam a causar danos significativos porque a condição ambiental é desfavorável às doenças de pós-colheita. Portanto, é muito importante fazer limpeza periódica do local de armazenamento, com jatos de água e detergente, e também eliminar bulbos doentes e restos de escamas.

Na comercialização, devem ser executadas inspeções periódicas e a eliminação dos bulbos doentes, com sintomas e sinais evidentes. A condição de armazenamento temporária também deve ser observada com cuidado, evitando-se ambientes muito quentes e úmidos que favorecem a proliferação de fungos e bactérias.

 
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