A planta de batata-doce
possui um sistema radicular
muito ramificado (Figura 3)
o que a torna eficiente na absorção
de nutrientes, especialmente
o fósforo. Por isso,
são raros os resultados
positivos de adubação
fosfatada (Breda Filho et al,
1966; Camargo et al., 1962;
Camargo, 1951).
Quando a cultura é instalada
em seqüência a uma
outra cultura que tenha recebido
altas doses de fertilizantes,
como é o caso da maioria
das hortaliças, geralmente
não são feitas
adubações e nem
correções de acidez.
Entretanto, com base na análise
do conteúdo mineral,
a cultura extrai 60 a 113kg
de N; 20 a 45,7kg de P2O5; 100
a 236kg de K2O; 31 a 35kg de
CaO e 11 a 13kg de MgO, para
uma produção de
13 a 15 t/ha. Para uma produção
de 30t/ha de raízes,
extrai cerca de 129Kg/ha de
N; 50kg/ha de P2O5 e 257Kg/ha
de K2O (Miranda et al., 1987).
Contudo deve-se considerar que
a extração de
nutrientes depende da cultivar,
das características químicas
e físicas do solo, do
clima e do ciclo da cultura.
Os elementos extraídos
devem ser fornecidos ao solo,
com a finalidade de manter a
sua capacidade produtiva. Por
isso, para as condições
de solos com alta capacidade
de retenção de
fósforo, como é
a maioria dos solos da região
dos cerrados, recomenda-se aplicar,
pelo menos, fertilizantes fosfatados.
Como recomendação
geral, existem algumas propostas
regionais, resumidas no quadro
3, cujos limites de interpretação
dos resultados de análises
de solo para fósforo
e potássio estão
no quadro 4. |
| |
| Quadro
3. Recomendação
de adubação mineral
para batata-doce para alguns estados,
com base nos teores de fósforo
e potássio encontrados
no solo. |
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|
Estado
do Espírito Santo |
Fósforo |
|
Potássio |
| |
|
Baixo |
|
Médio |
|
Alto |
| |
|
Kg/ha
de N – P2O5 –
k2O |
Baixo |
|
20-90-100 |
|
20-90-70 |
|
20-90-40 |
Médio |
|
20-60-100 |
|
20-60-70 |
|
20-60-40 |
Alto |
|
20-40-100 |
|
20-40-70 |
|
20-40-40 |
Estado
de Minas Gerais |
Baixo |
|
60-180-90 |
|
60–180–60
|
|
60–180–30 |
Médio |
|
60-120-90 |
|
60–120–60
|
|
60–120–30 |
Alto |
|
60-60-90 |
|
60–60–60
|
|
60–60–30 |
Estado
de São Paulo |
Baixo |
|
40-100-120 |
|
40–100–90
|
|
40–100–60 |
Médio |
|
40-80-120 |
|
40–80–90
|
|
40–80–60 |
Alto |
|
40-60-120 |
|
40–60–90
|
|
40–60–60 |
|
| |
| Fontes: Raij
et al., 1996; Ribeiro et al.,
1999; Dadalto et al., 2001 |
| |
| Obs: |
a) Aplicar todo o fósforo
e metade do potássio e
do nitrogênio no plantio;
b) Efetuar cobertura com nitrogênio
e potássio aos 40 –
45 dias. |
| |
| O nitrogênio é
o nutriente que mais merece atenção.
Em solos com alta disponibilidade
desse elemento ocorre um intenso
crescimento da parte aérea,
em detrimento da formação
de raízes de reserva. O
crescimento luxuriante de folhas
e ramas causa o auto-sombreamento
excessivo, que reduz a taxa de
fotossíntese e favorece
o crescimento de patógenos,
principalmente os fungos. Por
outro lado, a deficiência
de nitrogênio prejudica
o desenvolvimento da planta, causando
a redução da fotossíntese,
o amarelecimento e a queda das
folhas basais. Para evitar
o excesso, bem como a deficiência
do elemento, deve-se acompanhar
o crescimento da cultura. A
aplicação de fertilizante
nitrogenado só deve ser
feita quando houver sintomas
de deficiência do nutriente
que é o amarelecimento
das folhas, principalmente as
mais velhas. Esta atenção
deve ser dada antes que as plantas
atinjam cerca de 45 dias, pois
a partir desse período
torna-se mais difícil
realizar qualquer operação
na lavoura, devido ao entrelaçamento
das ramas. |
| |
| Quadro
4. Limites de interpretação
do nível de fertilidade
adotados pelos laboratórios
de análise de solo. |
| |
| Parâmetro
Analisado |
|
Baixo |
|
Médio |
|
Alto |
Fósforo
(mg/dm³)
|
Textura
argilosa |
|
<
ou = 5 |
|
6-10 |
|
>
10 |
Textura
média |
|
<
ou = 10 |
|
11-20 |
|
>
20 |
textura
arenosa |
|
<
ou = 20 |
|
21-30 |
|
>
30 |
Potássio
(mg/dm³)
|
|
<
ou = 30 |
|
31-60 |
|
>
60 |
|
| |
| Fonte: (Dadalto
e Fullin, 2001) |
| |
| Em relação ao
potássio, por ser um elemento
solúvel e bastante móvel
no solo, é recomendado
que se faça a aplicação
da metade da dose no plantio e
o restante aos 45 dias.
Os nutrientes cálcio
e magnésio são
geralmente supridos através
da calagem com calcário
dolomítico.
Quanto aos micronutrientes,
em solos com baixa fertilidade
como é o caso dos solos
da região dos cerrados,
recomenda-se aplicar 10 a 20kg/ha
de bórax e ????kg/ha
de sulfato de zinco. Entretanto,
se nos cultivos anteriores tiverem
sido feitas adubações
com este fertilizante, deve-se
atentar para a possibilidade
de ocorrência de níveis
tóxicos.
A aplicação de
matéria orgânica
tem proporcionado excelentes
resultados por dois motivos:
o primeiro, por promover o arejamento
e o afrouxamento do solo, facilitando
o crescimento lateral das raízes.
Com isso, formam-se raízes
menos tortuosas. O segundo motivo
é que, sendo uma cultura
de ciclo relativamente longo,
ocorre a liberação
mais lenta dos minerais durante
a decomposição
da matéria orgânica
mantendo um equilíbrio
entre a formação
de partes vegetativas e a acumulação
de reservas. Caso haja disponibilidade
de matéria orgânica,
pode-se adicionar 20 a 30t/ha
de esterco de gado, e neste
caso, reduzir à metade
a adubação com
nitrogênio mineral. Os
fertilizantes devem ser distribuídos
no espaçamento correspondente
às leiras, antes da sua
construção, de
forma que fiquem localizados
na base da leira. |
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