Projeto de cooperação internacional que tem como proposta o alinhamento de ações visando garantir a segurança alimentar em Moçambique começa a dar seus primeiros passos. Dar o passo inicial foi o objetivo da viagem técnica empreendida entre os dias 08 a 20 de julho pelo pesquisador Francisco Vilela, acompanhado do assistente de pesquisa Josimar Ribeiro. Nesse período, foram desenvolvidos os processos referentes à introdução de cultivares brasileiras de hortaliças naquele país africano. “Foram introduzidas 40 cultivares de seis espécies de hortaliças – alface, repolho, cebola, cenoura, tomate, pimentão e duas cultivares de alho livre de vírus”, informou o pesquisador.
Articulado em 2010, o projeto tem como fonte de recursos os governos do Brasil, através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), dos Estados Unidos, via Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), e de Moçambique, representado pelo Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM). No Brasil, é coordenado pela Secretaria de Relações Internacionais da Embrapa e executado pela Embrapa Hortaliças (Brasília-DF) e pela Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ). O projeto está sendo conduzido na Estação Agrária de Umbeluzi do IIAM, a 30 km de Maputo, capital de Moçambique. “Serão algumas viagens e muitos trabalhos em conjunto para atender a todos os três componentes previstos no projeto: introdução de cultivares brasileiras de hortaliças, avaliação de sistemas de irrigação e sistematização de uma área experimental para pesquisas em produção orgânica de hortaliças”, assinala Francisco.
Segundo ele, com relação às cultivares introduzidas, serão três os ciclos de experimentos, com testes em diferentes épocas, com o primeiro começando no meio do inverno e chegando até novembro/dezembro. “Em setembro, vamos retornar a Moçambique para fazer um acompanhamento técnico dos experimentos, e em novembro passamos para um segundo ciclo experimental, nas condições de verão de Moçambique. O terceiro ciclo acontecerá em abril/maio de 2013 nas condições de pleno inverno, quando serão analisadas a qualidade e a aceitação dos materiais pela população”, adianta o pesquisador.
Como segundo componente, serão instalados os sistemas de irrigação por aspersão, gotejamento, microaspersão e o de mangueiras perfuradas. “O que prevalece entre os produtores moçambicanos é um sistema primitivo, como a irrigação por sulcos e inundação, que dificultam a produção de hortaliças”, informa Francisco.
A produção orgânica de hortaliças está inserida no terceiro componente, quando será sistematizada uma área para experimentos, similar à existente na Embrapa Hortaliças. Nesse quesito, alguns pontos positivos já foram computados, como a transferência de tecnologia de compostagem e de adubo verde aos técnicos e pesquisadores do IIAM, que acompanham o projeto.
BOAS PERSPECTIVAS
O pesquisador mostrou-se otimista com a perspectiva de bons resultados a serem alcançados mais adiante. A equipe recebeu reforços de quatro pesquisadores do IIAM, “que se mostraram bastante comprometidos com o projeto”, além da participação de oito estagiários de cursos técnicos em agropecuária de Moçambique. “Vale ressaltar que durante a implantação dos experimentos, recebemos visitas de produtores de hortaliças da região de Umbeluzi, interessados no sistema de irrigação por mangueiras perfuradas, de baixo custo e de uso bastante comum entre pequenos produtores brasileiros”, sublinhou.
Para o pesquisador, tornar Moçambique - hoje dependente da importação da África do Sul - autossuficiente na produção de hortaliças é o grande desafio, e fazer o país contar com cultivares mais adequadas às suas condições, utilizando sistemas de irrigação mais adequados à produção de olerícolas “é a coluna vertebral do projeto”.
Anelise Macedo –(MTB 2749/DF)
Assessoria de Imprensa
Núcleo de Comunicação Organizacional(NCO)
Embrapa Hortaliças
Tel.: (61) 3385-9109
E-mail:
ane@cnph.embrapa.br
|