Além do pimentão (Capsicum annuum var. annuum), são cultivados no Brasil diferentes tipos de pimentas pertencentes às quatro espécies domesticadas: C. annuum (jalapeño), C. baccatum (dedo-de-moça), C. frutescens (malagueta) e C. chinense (de-cheiro, bode, cumari-do-Pará). Diferente do pimentão, as pimentas apresentam uma certa rusticidade em campo e um ciclo mais longo, onde o período de colheita pode estender-se por mais de um ano.

.:. Escolha de terreno: Preferir terrenos com solos profundos e com boa drenagem. Evitar solos "pesados" que ficam freqüentemente encharcados.

.:. Produção de mudas: As mudas devem ser feitas em bandejas de isopor, com solo ou substrato desinfestado, para evitar a ocorrência do tombamento, doença causada por diversos fungos de solo. São semeadas 1 a 2 sementes por célula, e as bandejas devem ser colocadas em ambiente protegido do sol direto, com lateral telada para evitar entrada de insetos. As bandejas devem ser mantidas acima do solo, sobre um estrado telado de arame que possibilite claridade na superfície inferior, a fim de que as raízes não se exponham e não sejam danificadas por ocasião do transplante.

.:. Sementes necessárias para plantar 1 ha: Cerca de 300g.

.:. Transplante: Pimentão - A transferência das mudas para o local definitivo de plantio deve ocorrer quando elas tiverem de 4-6 folhas definitivas ou 10-15 centímetros de altura, que corresponde a aproximadamente 40 dias após a semeadura (d.a.s.). Pimentas - As mudas devem ser transplantadas para o campo, canteiro ou vaso, com 15-20 cm de altura, o que corresponde a cerca de 50-60 d.a.s.
.:. Correção do solo e adubação: Fazer a correção da acidez do solo e adubação com base na análise química do solo. Os resultados da análise devem ser repassados a um agronômo da área de extensão rural do seu estado, para que faça as recomendações adequadas. O solo deve ter boa drenagem e pH entre 5,5 a 6,8. Aplicar calcário para elevar a saturação de bases a 80% e o teor mínimo de magnésio a 8 mmol/dm3. Em situações onde é muito difícil fazer a análise química do solo, existem algumas aproximações que auxiliam o produtor quanto às quantidades e tipos de adubos a serem utilizados. Porém, o produtor terá maiores chances de acerto fazendo a análise química anual de solo 2-3 meses antes da calagem.

Aproximações de adubação de plantio sugeridas para o cultivo de pimentas e pimentão nos estados de São Paulo e Minas Gerais e Distrito Federal: 20 t/ha (SP) a 30 t/ha (MG e DF) de esterco de curral ou 1/3 desta dosagem de esterco galinha. São utilizados 40 kg/ha de N, 60 kg/ha de N e 150 kg/ha de N nos estados de SP e MG e DF, respectivamente. A dosagem (kg/ha) de P2O5 e de K2O varia em função da classe de fertilidade do solo (baixa, média ou alta). Aplica-se de 160 a 600 kg/ha de P2O5 em SP, 180 a 300 kg/ha de P2O5 em MG e 150 a 500 kg/ha de P2O5 no DF. Quanto ao K2O, a dosagem varia de 60 a 180 kg/ha em SP, 120 a 240 kg/ha em MG e de 75 a 175 kg/ha no DF. Aplicar ainda 2-4 kg/ha de B, 2-3 kg/ha de Zn e 10-30 kg/ha de S.

Até a fase de florescimento, as adubações de cobertura são feitas com adubo nitrogenado e durante a frutificação com uma mistura de nitrogenado com potássico, em intervalos de 30-45 dias. No caso das pimentas, em que a colheita pode prolongar-se por mais de um ano, as adubações de cobertura devem ser feitas até o final do ciclo com base em observações no crescimento ou aparecimento de sintomas de deficiências nutricionais. Normalmente utiliza-se 20-50 kg/ha de N e 20-50 kg/ha de K2O.

.:. Irrigação: Tanto as pimentas quanto os pimentões exigem suprimento regular de água durante todo o ciclo. Deve-se evitar o acúmulo de água para não favorecer o surgimento de doenças que podem causar apodrecimento do colo e raízes, assim como o abortamento e queda de flores. A deficiência de água, especialmente durante os estádios de floração e pegamento de frutos, reduz a produtividade em decorrência da queda de flores e abortamento de frutos e também provoca o aparecimento de podridão apical nos frutos. A escolha do sistema de irrigação deve ter como base tipo de solo, topografia, clima, custo do sistema, uso de mão-de-obra e energia, incidência de pragas e doenças, rendimento da cultura, quantidade e qualidade de água disponível. O gotejamento é o método mais indicado no cultivo de pimentão com cobertura (“mulching”) e em estufas, propiciando irrigação mais econômica ou com menor gasto de água. No caso da aspersão, não irrigar no período da manhã durante a fase de florescimento para evitar a lavagem de pólen. A produção de pimentas em regiões com chuvas regulares e abundantes pode ser realizada sem o uso da irrigação.

.:.Tratos culturais: Manter a área limpa de plantas daninhas por meio de capinas, uma vez que não existem herbicidas pós-emergência recomendados para as culturas de pimenta e pimentão. Quando há reinfestação da área após o preparo do solo, a eliminação pode ser feita com uma gradagem ou aplicação de herbicida de pré-plantio incorporado (Trifluralina - registrado para a cultura do pimentão pelo Ministério da Agricultura), antes do transplante.

Tanto no sistema de cultivo protegido como em campo aberto as plantas de pimentão são tutoradas. As hastes lenhosas da maioria dos tipos de pimenta dispensam tutoramento e desbrota. Entretanto, caso apareçam brotações na haste principal abaixo da primeira bifurcação, elas podem ser retiradas. Em locais de ventos fortes, pode ocorrer a necessidade de se fazer tutoramento da planta (colocando-se uma estaca de madeira ou bambu junto a planta) ou o plantio de quebra-vento em volta do campo (capim-elefante, milho, cana-de-açúcar).
.:. Principais doenças e pragas: Ver tópico Doenças e Pragas.

Clique nas figuras abaixo para conhecer os detalhes do cultivo das principais espécies de Capsicum:

Cultivo do Pimentão Cultivo da Pimenta Jalapeño Cultivo da Pimenta Malagueta Cultivo da Pimenta Dedo de Moça Cultivo da Pimenta de Cheiro, Cumari do Pará e Bode
Pimentão Pimenta Jalapeño Pimenta Malagueta Pimenta Dedo-de-Moça Pimenta de Cheiro
 
 

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